Pequena História do Paraná - Cecília Maria Westphalen.pdf
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CECÍLIA MARIA WESTPHALEN
PEQUENA HISTÓRIA
DO PARANÁ
ILUSTRAÇÕES DE OSWALDO STORNI
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8/V-3
Aprovada pela Comissão de Professores
designada pelo Secretário de Educação e Cultura
do Estado do Paraná, conforme Portaria 102/53.
Nos pedidos telegráficos basta citar o n.° 2687
A idéia e a publicação dêste livro são devidas ao Exmo.
Sr. Dr. Newton Carneiro, D. D. Presidente da Comissão
dos Festejos do Primeiro Centenário do Paraná e ao Prof.
Dr. João Xavier Vianna, D. D. Secretário da Educação
e Cultura do Estado do Paraná, dos quais a Autora
recebeu inteiro apoio.
C. M. W.
ÍNDICE
I
— Preparação Histórica ...........................................................
9
II
— Ocupação Geográfica ...........................................................
27
III
— Definição Territorial ...........................................................
41
IV
— Emancipação Político-Administrativa .............................
57
V
— Realização do Paraná...........................................................
79
PEQUENA HISTÓRIA DO PARANÁ
Efetuados os descobrimentos, o homem e o Estado se encontram na expec
tativa do que as novas terras poderíam oferecer. É o tempo do reconheci
mento e exploração do novo achado. É o tempo de tentativas e experiên
cias.
II
O homem, em contato mais intimo com a terra, se lança à conquista, esti
mulado pelas promessas de riquezas. É o tempo das bandeiras e bandei
rantes.
III
O Estado, ante as possibilidades e êxito do homem, com sua autoridade,
assegura a terra para si, demarcando as suas fronteiras. É o tempo da
política de fronteiras e das expedições militares povoadoras.
IV
Conquistada e ocupada a terra, o homem, já estabelecido como proprie
tário privado, volta novamente a ser o senhor dos seus destinos. É o tempo
em que o Paraná exige a sua autonomia e participa dos acontecimentos
nacionais.
V
O homem e o Estado conjugam os seus esforços para um melhor aprovei
tamento'das virtudes da terra. É o instante histórico da realização políticoadministrativa, econômico-financeira e social-cultural do Paraná.
I
PREPARAÇÃO HISTÓRICA
AS GRANDES NAVEGAÇÕES
O final da Idade Média foi o tempo, mais significativo da his
tória, quando os homens da península Ibérica alargaram, com as
suas grandes navegações e descobrimentos, o horizonte universal.
A princípio os portuguêses, depois os espanhóis, durante dezenas de
anos, cientificamerite se prepararam para a arrojada emprêsa de
afastar as fronteiras do pequeno mundo conhecido.
Isto não foi aventura fácil e ligeira, nem tampouco foi o arroubo
da imaginação que tocou as caravelas de Bartolomeu Dias ao do
brar o cabo da Boa Esperança, de Colombo ao chegar à América, de
Vasco da Gama ao encontrar o caminho marítimo para as índias,
de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, de João Dias de Solis ao Rio da
Prata, de Fernando de Magalhães ao Oceano Pacífico.
Foi o preparo técnico e científico de várias gerações orientadas
no caminho da expansão marítima, uma vez que a situação geográ
fica, o tamanho da península Ibérica e seus fracos recursos naturais
não apontavam dias de grande esplendor material aos seus povos.
Desde a plantação do pinho, que fomeceria o madeirame às em
barcações, ao estudo dos astros, estréias, mapas e cartas e à elabora
ção de instrumentos náuticos, prepararam-se os iberos para a sua
grande emprêsa.
Os portuguêses, na Escola de Sagres, fundada pelo Infante
D. Henrique, estudaram as melhores condições de navegação. Por
todo lado, em Portugal, eram falados e preparados os descobrimen
tos. Maravilhoso plano nacional seguido pelos reis, de tudo o que
fizeram sabiam o “como” e o “porquê".
9
Depois a fé católica dos reis de Portugal e Espanha animou aquêles planos, que deveríam trazer também a cristianização dos povos
primitivos, os quais viviam em terras não exploradas.
Ainda o desejo de maiores riquezas oferecidas por lendários
reinos e impérios, atraíam os homens, ao lado da verdadeira neces
sidade das chamadas "especiarias” (açúcar, cravo, canela, pimenta,
sêda e outras) que, após o movimento econômico-religioso das Cru
zadas, os europeus aprenderam a utilizar e que, fechada a rota de
Constantinopla, tomada pelos turcos, se tornavam difíceis e era
impossível ó seu comércio.
Tantas e variadas causas — situação geográfica dos povos da
península Ibérica, impossibilitados de expansão continental; pre10
paro técnico e científico, desenvolvido desde os tempos de D. Dinis,
com a plantação dos pinhais de Leiria, até à instalação da Escola
de Sagres; a necessidade econômica de utilização das especiarias,
aliada ao desejo de aumento da riqueza particular e pública; a fé
religiosa dos católicos reis de Portugal e Espanha, — levaram as
caravelas a descobrir mares e mundos, povos e gentes, trazendo à
Europa uma era de fausto e riqueza, quando Lisboa foi a sede do
maior império econômico e a Europa tôda se entregou a profundas
modificações políticas, sociais, econômicas e religiosas, que marca
ram uma época de transição, da Idade Média aos tempos modernos.
SIGNIFICAÇÃO E IMPORTÂNCIA DO TRATADO DE
TORDESILHAS
Descobrimentos importantes foram realizados. Bartolomeu Dias,
dobrando o cabo da Boa Esperança, abre a rota à viagem de Vasco
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da Gama. Cristóvão Colombo, obtendo o apoio dos reis da Espa
nha, realiza o seu desejo de tentar chegar às índias, rumo ao oci
dente, e descobre a América.
O descobrimento da América por Cristóvão Colombo, navega
dor genovês, a serviço da Espanha, trouxe graves problemas e com
plicações políticas internacionais, oriundas de antigas concessões de
terras feitas pelo Papado aos portuguêses, defensores da fé católica
na época da dominação e expulsão dos árabes da península Ibérica.
Um choque resultou entre Portugal e Espanha. Aquêle, dis
posto a defender, mesmo pelas armas, os seus direitos, quando a
diplomacia dos países em demanda chega a um acordo, firmando
no ano de 1494, o Tratado de Tordesilhas, de profunda significa
ção na história da América e do Brasil.
Êle dispunha que as terras situadas até 370 léguas da mais oci
dental das ilhas do Cabo Verde pertenceríam a Portugal, e as terras
situadas além das 370 léguas pertenceríam à Espanha, terras des
cobertas e a descobrir.
Muitas vêzes alterado e não cumprido, foi o Tratado de Tordesi
lhas de grande importância, determinando fronteiras ao Brasil e
ao Paraná.
Antes da viagem de Pedro Álvares Cabral, já o Brasil, em
pequena parte, principalmente o litoral, mais ou menos da atual
Belém do Pará a Laguna, em Santa Catarina, pertencia à Coroa
portuguêsa.
O DESCOBRIMENTO DO BRASIL
Sabendo e verificando o engano de Cristóvão Colombo, os por
tuguêses redobraram os seus trabalhos e esforços, enfim realizando
a sua tentativa de procura do caminho marítimo para as índias.
A armada de Vasco da Gama é equipada e, debaixo das bênçãos
e preces da nação portuguêsa, inicia a grande viagem vitoriosa,
cantada pelo gênio de Luís Vaz de Camões em “Os Lusíadas”.
Vasco da Gama chega a Calicut e, respondendo à indagação do
governante local: — “A que vindes?”, diz — “Em procura de espe
ciarias e novos cristãos”. Admiràvelmente resumiu os objetivos’ das
navegações portuguêsas, o lado material aliado ao lado espiritual.
13
Regressaram as caravelas abarrotadas de produtos orientais. Pos
tos em Lisboa, compensaram os gastos havidos no preparo da
armada, viagem e, ainda, propiciaram fabuloso lucro.
Tal acontecimento mais animou as navegações portuguêsas,
sendo equipada nova expedição que, sob o comando do nobre
Pedro Álvares Cabral, deveria ir às índias.
No entanto, ela chegou a novas terras da América, descobrindo
o Brasil e só depois completou o seu roteiro.
Chegados ao Brasil, os portuguêses tomaram posse da terra em
nome do rei de Portugal, estabeleceram-se, palmo a palmo a con
quistaram e colonizaram, legando-nos os seus usos, costumes e tra
dições.
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Primeiras notícias sôbre o achamento da nova terra são dadas
pelo escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, profundo obser
vador e relator — Pêro Vaz de Caminha — o qual redige a nota que
deverá ser levada aos reis e à metrópole. Carta minuciosa, veio a
constituir um dos mais preciosos documentos da História do Brasil.
Interessante por ser o primeiro e pela qualidade das informações
sôbre a terra, seus aspectos, habitantes, animais, pássaros, flores e
frutos. É verdadeiramente bela e sincera página descritiva do Brasil
nascente.
O HABITANTE DA TERRA
Pedro Álvares Cabral e seus companheiros encontraram o Bra
sil habitado por homens que viviam em primitivo estado de civili
zação e cultura, chamados “povos naturais”, que constituíam várias
nações indígenas, vindas de longe e de há muito tempo.
Habitavam tôda a extensão territorial brasileira. No litoral,
principalmente, os Tupi; no interior, os Gê; no centro-norte, os
Nuaruaque e ao norte, os Caraíba.
Formavam êles os grandes grupos indígenas do Brasil; outros
menores e isolados existiam.
Viviam em estado natural, isto é, não usavam vestuário, apenas
adornos e enfeites; não conheciam o uso dos metais, limitavam-se
ao conhecimento do fogo (uma das primeiras técnicas que o homem
aprendeu); moravam em ocas de barro e ramagens; possuíam pou
cos objetos de uso doméstico, utensílios de barro, geralmente fei
tos pelas mulheres indígenas.
A reunião de várias famílias formava a tribo, vivendo na taba.
Uma tribo e outra, por questões de alimentação, uma vez que se
alimentavam apenas de caça e pesca e cultivavam roças rudimenta
res de mandioca, quase sempre se encontravam em lutas, procu
rando conseguir melhores locais a coleta de frutos, campos de caça,
rios piscosos, necessários à sua conservação.
Entre si não guerreavam, respeitavam-se míituamente e, mais
ainda, respeitavam o produto do trabalho alheio, um não tirava o
arco e a flecha de outro. A terra era coletiva, mas os objetos móveis,
como o arco e a flecha, eram individuais.
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coa Castro Alvos
Possuíam crenças e concepções religiosas, acreditavam em Tupã,
ente superior, senhor da vida e da morte, e julgavam que os fenô
menos da natureza, como o raio e o trovão, eram manifestações do
seu poder.
Além de Tupã, tinham outros deuses menores e secundários,
como o Sol — Guaraci, a Lua — Jaci, todos êles acompanhados por
um séqüito de gênios protetores, como o Saci-Cererê, Mboi-Tatá, o
Curupira e outros.
Viviam nos campos e nas matas, planícies e serras, na mais ampla
liberdade, limitados apenas pela linha do horizonte. Justamente por
isto, quando o branco europeu quis utilizar-se, em seus engenhos,
roças e lavras, do seu trabalho escravo, o índio não se submeteu,
melhor, não se adaptou; a sua formação não era adequada para tal.
OS PRIMEIROS TEMPOS
Dada a notícia da existência desta nova terra e novas gentes,
por um pouco se demoraram os reis de Portugal em mandar expe
dições de reconhecimento e exploradoras do novo achado.
Desejavam êles encontrar um navegador que tivesse perfeita
ciência dos descobrimentos espanhóis na América, a fim de bem
ajuizar o descobrimento português e declarar se êle se achava, ou
não, dentro dos limites traçados pelo Tratado de Tordesilhas.
Encontraram êsse navegante na pessoa de Américo Vespucci,
companheiro de viagem de Cristóvão Colombo ao Novo Continente
e a quem se deve o nome de América.
Veio Américo Vespucci ao Brasil na primeira expedição explo
radora.
Assim, o fato da demora não implica em pouco caso pela terra
recém-descoberta; também, logo que sabedor da grata nova, El-Rei
Dom Manuel se apressou em manifestar à Espanha o agrado dos
portuguêses e a sua vontade de conservar a colônia, embora com
sacrifícios.
A expedição em que tomou parte Américo Vespucci e outras
que vieram mais tarde, tiveram por finalidade a exploração da
costa brasileira, verificando a sua extensão, acidentes geográficos e,
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ainda, a fundação de feitorias, postos avançados da possessão por
tuguesa na América do Sul.
Terra imensa, essas expedições que visitaram o Brasil, não
podiam realizar obra duradoura, a conquista da terra ou do indí
gena.
Para tanto contribuía o perigo dos constantes ataques de
navios piratas estrangeiros, que vinham ao litoral brasileiro abar
rotar os porões com carregamentos de pau-brasil, madeira que for
necia ótima tinta corante (o vermelho era a côr da moda na Europa)
e que, para melhor comerciar, incitavam o indígena contra o ocupador português.
Era desejo de outros povos participar também dos lucros eco
nômicos dos grandes descobrimentos.
2 Pequena História do Paraná
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Com tais dificuldades e imprevistos, D. João III resolve, após
trinta anos da viagem de Pedro Álvares Cabral, enviar ao Brasil,
sob o comando do nobre, seu amigo e leal servidor, Martim Afonso
de Sousa, grande expedição, a primeira colonizadora.
Enormes foram os seus encargos: início da colonização, trazendo
famílias de colonos, sementes, gado, etc...; a fundação de feitorias,
melhor situadas, guarnecidas e armadas para a defesa efetiva da
terra; a missão de verificar se a foz do rio da Prata estava dentro
da posse portuguêsa ou espanhola.
Martim Afonso de Sousa tudo desempenhou e, sendo homem
de visão, verificou também a impossibilidade da colonização do Bra
sil, com apenas expedições colonizadoras vindas da Metrópole e
dirigidas pela Coroa distante.
AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS
Portugal, pequeno país europeu, com pequena população ata
refada em realizar o apogeu econômico de sua terra, com o comér
cio das índias, não podia efetivar no momento a conquista e a
colonização do Brasil, por maiores que fôssem os trabalhos e esfor
ços da Coroa portuguêsa.
O monarca D. João III, atendendo a conselhos e compre
endendo o perigo dos ataques estrangeiros, a incapacidade de colo
nização pela Coroa, e, sobretudo, sentindo a necessidade urgente do
seu aproveitamento econômico, adota o sistema político-administrativo das capitanias hereditárias, .já criado e instalado em outras co
lônias portuguesas.
O litoral brasileiro foi dividido em porções doadas a fidalgos
de Portugal (foi difícil encontrar quem as aceitasse) que, à sua custa
e risco, se comprometiam a conquistar e colonizar a nova terra.
Eram os capitães donatários, os quais passaram a ter a posse de
sua capitania que, por direito de herança, se conservaria dentro
de sua família.
Eficaz em pequenas colônias, no Brasil fracassou o sistema das
capitanias.
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Fracassou pela sua enorme extensão territorial, dificuldades de
transportes entre as capitanias e entre a metrópole e a colônia.
Faltou um governo central que a tôdas atendesse, houve falta de
recursos econômicos e organização administrativa dos donatários.
Falta de colonos, falta de trato entre êstes e os indígenas, falta de
tudo, trazendo o fracasso, a não ser naquelas em que a base econô
mica do açúcar susteve os primeiros instantes e o povoamento há
mais’ tempo iniciado permitiram rápido progresso.
Esta experiência falha trouxe a instalação do goVêrno-geral no
Brasil, mas continuaram existindo as capitanias hereditárias, den
tro das famílias dos donatários, transmitindo-se por herança de gera
ção em geração, até que, ocupadas ou adquiridas pela Coroa portuguêsa, voltaram à administração real.
AS CAPITANIAS DE SÃO VICENTE E DE SANT ANA
Duas capitanias hereditárias foram criadas sôbre o litoral para
naense, a de São Vicente, doada a Martim Afonso de Sousa, e a
de Sant’Ana, doada a Pêro Lopes de Sousa.
Aquela em duas porções, compreendendo, no que interessa ao
Paraná, a região entre a barra de Paranaguá à de Bertioga. A de
Sant’Ana, desde a barra de Paranaguá, descendo, até onde fôsse
legítima, pelo Tratado de Tordesilhas, a conquista e ocupação portuguêsa. Segundo a interpretação portuguêsa do mesmo tratado,
era legítima a sua ocupação e conquista até a altura de Laguna,
em Santa Catarina.
Para os espanhóis, o meridiano do Tratado de Tordesilhas na
altura da barra de Paranaguá se perdia no mar; assim, para êles,
era inexistente a capitania de Sant’Ana, doada pelo rei português
a Pêro Lopes de Sousa.
Pelas atividades econômicas e povoamento há muito iniciados,
como pela energia dos seus administradores, a capitania de São
Vicente foi uma das que alcançaram progresso e êxito (a outra
foi a de Pernambuco, doada a Duarte Coelho Pereira).
Nela se desenvolveram os primeiros tempos da civilização meri
dional brasileira, característica, já evidente nos entradistas do sertão,
que partiam em busca de riquezas e índios.
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Os dois irmãos, Martim Afonso e Pêro Lopes de Sousa, aquêle,
iniciador da colonização portuguêsa no Brasil, êste, explorador do
rio da Prata, pelo muito que fizeram nos tempos difíceis da inicia
ção histórica brasileira, estão profundamente ligados à nossa vida
colonial.
Chamados a outros serviços del-Rei, não administraram pessoal
mente as suas donatárias. A morte de Pêro Lopes de Sousa, quando
regressava ao Brasil e dêle muito esperava a sua capitania, veio
contribuir para retardar o aparecimento das terras do Paraná na
colônia portuguêsa da América do Sul.
O INDÍGENA DO PARANÁ
Encontramos no litoral paranaense vestígios da sua antiga ocupa
ção por primitivos indígenas que nos deixaram evidentes sinais da
sua passagem nos chamados “sambaquis”, ou casqueiros formados
pelo amontoado de carapaças de moluscos que podem conter, ou
não, material lítico, ossadas de animais e restos humanos, como por
exemplo, machados de pedra e esqueletos.
Os “sambaquis” são importantíssimos ao estudo dos primitivos
habitantes da terra brasileira e paranaense, porque são jazidas que
podem oferecer à Ciência, respostas para as indagações sôbre o Ho
mem Americano.
No tempo do descobrimento, as terras do Paraná estavam ocupa
das por tribos indígenas que, pouco a pouco, foram recuando para
o interior, à medida que o branco se estabelecia no litoral. De lá
os foram arrancar os ataques bandeirantes, que nêles encontravam
grande fonte de riqueza — o trabalho escravo.
Viviam no litoral paranaense, principalmente, os Carijó, preados com fereza pelas incursões de Jerônimo Leitão e Manuel Soeiro,
os Tupiniquim e outros.
Nos planaltos e nos campos viviam os Tingui, os Guaianá, os
Temiminó, os Bituruna, depois os Caingangue, os Caiuá, os Camé
e tantos outros.
O indígena do Brasil muito contribuiu para a nossa formação
étnica, contribuição material através de novos tipos mestiços, como
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o caboclo, e espiritual, deixando-nos os seus usos, costumes e
tradições.
No Paraná, sentimos a presença dos primeiros habitantes da
terra no uso do mate, no costume do fogo aceso, na lenda do Pai
Zumé, enfim, na riqueza inesgotável do nosso folclore.
LEITURA
TRECHOS DA CARTA DE PÊRO VAZ DE CAMINHA
“...E assim seguimos nosso caminho, por êste mar, de longo, até
que, têrça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram vinte e um dias
de abril, estando da dita ilha obra de 600 ou 670 léguas, segundo
os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram
muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam
botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo de asno. E,
quarta-feira seguinte, pela manhã topamos aves a que chamam furabuchos. Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!
Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras
serras mais baixas ao sul dêle; e de terra chã, com grandes arvore
dos: ao monte alto o capitão pôs nome — o MONTE PASCOAL
e à terra - a TERRA DE VERA CRUZ...”
“...Dali avistamos homens que andavam pela praia...”
“E tomou dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons
corpos, que estavam numa almadia. Um dêles trazia um arco e seis
ou sete setas; e na praia andavam muitos com os seus arcos e setas;
mas de nada lhes serviram. Trouxe-os logo, já de noite, ao capitão,
em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa.” “A feição
dêles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos,
bons narizes, bem feitos. Andam nus sem cobertura alguma.”
“Os seus cabelos são corredios. E andavam tosquiados, de tos
quia alta, mais que de sôbre-pente, de boa grandura e rapados até
por cima das orelhas...”
"...Mostraram-lhes um papagaio pardo que o capitão traz con
sigo; tomaram-no logo na mão e acenaram a terra, como quem diz
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que os havia ali. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso.
Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram mêdo dela: não lhe
queriam pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados..."
“...Ali verieis galantes, pintados de prêto e de vermelho, e quartejados, assim nos corpos, como nas pernas, que, certo, pareciam
bem assim...”
“...Alguns traziam uns ouriços verdes, de árvores, que, na côr,
queriam parecer de castanheiros, embora mais pequenos. E eram
cheios duns grãos vermelhos pequenos, que, esmagados entre os
dedos, faziam tintura muito vermelha, de que êle andavam tintos.
E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam...”
“...Êles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca,
nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que acostumada seja ao viver do homem. Nem comem senão
dêsse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e fruitos, que a
terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos
e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes
comemos...”
“...Esta terra, Senhor, me parece que de ponta a ponta, é tudo
praia-calma, muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu,
vista do mar, muito grande, porque, a estender os olhos, não podía
mos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia longa...’’.
“...Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que,
querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo...”
Pêro Vaz de Caminha
PAI ZUMÉ
O sertão de Tibaxiba tinha fama de bravio, “terra áspera e
montuosa” como diz o padre Gay ("História dos Jesuítas do Para
guai”) e até o ano de 1624 sua numerosa população de indomados
infiéis fazia parte da república teocrática de Guairá.
22
Nesse ano, porém, Montoya e Cristóvão de Mendonça, sozinhos,
armados das armas da fé, saíram de Loreto, na foz do Pirapó, e
foram ter às tabas de Taiati, no principal reduto das mais temidas
tribos do Apucarana.
Ao contrário de tôdas as suposições, foram recebidos com signi
ficativas manifestações de paz e alegria, presenteados com as mais
preciosas frutas silvestres e homenageados com cânticos e danças.
Admirando-se dessa ocorrência os heróicos soldados de Cristo, o
mais velho pajé das tribos do Tibaxiba avançou na multidão. Para
ram as algazarras festivas, um silêncio expectante pousou nas almas
e o pajé falou: — “Aqui vos esperamos desde os tempos dos nossos
antepassados. Sabíamos que havíeis de vir, porque Pai Zumé lhes
disse o que dizeis agora e previu que havíamos de esquecer a dou
trina que aqui ensinou, mas que outros sacerdotes nos fariam recor
dá-la. Êles trariam a cruz nas mãos pacificadoras e repetiríam as
mesmas'palavras que nos dizeis agora”.
E foi assim que no reduto infiel de Taiati, surgiu a cidade cristã
de Encarnación.
Por onde São Tomé foi passando, do mar ao Tibaxiba, ao Ivaí,
ao Piquiri, em rumo do ocidente, onde desapareceu, como o sol,
nas águas tumultuárias do Paraná, os caminhos se iam abrindo na
relva, na floresta e nas serranias, e nunca mais se fecharam...
Os sinais de seus passos se fixaram no granito das penhas, e
indeléveis marcarão eternamente a passagem do Santo.
Os primeiros jesuítas que surgiram nas mesopotâmias dos gran
des rios que correm para o ocidente e os demais da falange que des
bravou a selva do Paranapanema e daí para o sul até onde os levou
a sôbre-humana heroicidade, por tôda parte encontraram a tradi
ção da presença do apóstolo peregrino nas terras habitadas pelas
cem nações pagãs de Guairacá.
As obras de Deus são assim. Os caminhos que São Tomé per
correu em nossa terra e as brenhas que varou nas serranias nunca
mais se fecharam e as palavras que proferiu se repetiram sempre e
se repetirão pelo tempo afora, porque a verdade é eterna e imortais
os seus pregadores.
Romário Martins
23
SUGESTÕES PARA QUESTIONÁRIOS
— Em que época se deram os grandes descobrimentos?
2 — Qual o tipo de embarcação nêles utilizado?
3 — Quais os povos que mais se empenharam na realização dos desco
brimentos?
4 — Quem dobrou o cabo da Boa Esperança?
5 — Que fêz Vasco da Gama?
6 - Quem descobriu o rio da Prata?
— Os descobrimentos foram realizados sem preparo científico?
— O que eram as chamadas “especiarias”?
9 — Houve interesse religioso nos grandes descobrimentos?
10 — A serviço de que país, Colombo descobriu a América?
11 — Por que o descobrimento da América trouxe complicações entre Por
tugal e Espanha?
12 — Como Cristóvão Colombo pensava chegar às índias?
13 — Quando foi celebrado o Tratado de Tordesilhas?
14 — A viagem de Vasco da Gama deu bons resultados econômicos?
15 — Qual a primeira notícia que temos sôbre o descobrimento do Brasil?
16 — Pelo tratado de Tordesilhas, o Paraná, na sua maior parte, pertencia
a Portugal ou à Espanha?
B
17 — Por quem era habitado o Brasil por ocasião da chegada de Pedro
Álvares Cabral?
18 — Quais os grandes grupos indígenas do Brasil?
19 — Os indígenas do Brasil conheciam o uso dos metais?
20 — De que se alimentavam os nossos indígenas?
21 — Por que as tribos indígenas se encontravam em lutas constantes?
22 — Êles possuíam crenças religiosas?
23 — O que é um "sambaqui”?
24 — Qual o material que nêle podemos encontrar?
25 — Quais as tribos que, principalmente, habitavam o litoral do Paraná?
E no interior?
26 — Cite um tipo mestiço de branco e índio.
27 — Dê um exemplo da influência indígena em nossos usos e costumes.
28 — Em poucas palavras narre a lenda do Pai Zumé.
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— Por que se demoraram os reis de Portugal a enviar a primeira expe
dição de reconhecimento ao Brasil?
— A quem se deve o nome de América?
— Por que era apreciado o pau-brasil?
— Qual a primeira expedição colonizadora que veio ao Brasil?
— Quais os encargos que trouxe Martim Afonso de Sousa?'
— A Coroa portuguesa teve meios para colonizar o Brasil?
— 0 que eram as capitanias hereditárias?
— No Brasil, deu resultado o sistema das capitanias?
— Quais as capitanias que prosperaram e seus donatários?
— Qual a causa da sua prosperidade?
— Quando foi instalado no Brasil o govêmo-geral?
— Quais as capitanias criadas sôbre o litoral paranaense?
— Quais os seus capitães-donatários?
— A morte de Pêro Lopes retardou o surgir das terras do Paraná na
História do Brasil?
25
II
OCUPAÇÃO GEOGRÁFICA
NOTÍCIAS DE RIQUEZAS EM POTOSI
Desde o tempo do descobrimento do Brasil e da embocadura do
rio da Prata, portuguêses e espanhóis procuravam chegar às terras
lendárias de Potosi, tantas as novas de riquezas imensas ali acumu
ladas.
Todos por elas se achavam atraídos e fascinados. Foi o sonho
dominante que os empolgou, fazendo conquistar e colonizar a
região do Prata, como o nascer dos primeiros estabelecimentos por
tuguêses nO litoral sul-brasileiro.
.
Ardorosamente se puseram a caminho, enfrentando os maiores
obstáculos naturais e a indiada brava que opunha resistência à sua
penetração.
Importante era primeiro determinar a quem pertencia a foz do
rio da Prata, a Portugal ou Espanha, segundo as disposições do Tra
tado de Tordesilhas. Tal foi a grande tarefa que levou, por exem
plo, a armada de Martim Afonso de Sousa à embocadura do Prata,
sob o comando de Pêro Lopes.
Era o rio da Prata caminho natural de acesso àquelas riquezas
e ao interior do continente. A subida do rio foi estrada muitas vêzes
percorrida.
Também as terras do Paraná viram passar os homens da aven
tura, em busca da sorte e fama. Foram atravessadas de ponta a ponta,
do oceano ao rio, vendo palmilhadas as suas matas e campos, por
espanhóis e portuguêses que nelas se fixaram.
Em consequência, os espanhóis se estabeleceram no ocidente,
conquistando e colonizando o Prata; os portuguêses, no litoral
27
atlântico, fundado os seus primeiros povoados na parte meridonal
da sua colônia na América.
Dois caminhos intimamente ligados levavam à serra da Prata:
o subidouro do rio e aquêle através de terras paranaenses.
EXPEDIÇÕES À PROCURA DAS RIQUEZAS DA SERRA
DA PRATA
Em busca das faladas e prodigiosas riquezas em ouro, prata e
pedrarias que se diziam existentes em poderoso império, governado
por um rei branco, varando terras e rios do Paraná, partiu Aleixo
de Garcia, expedição cujos relatos a outros inflamaram.
Levando um exército indígena, com alguns companheiros, êle
chegou à terra da prata, onde saqueou tesouros abundantes, ini
ciando o regresso com precioso botim.
Por sua ordem, companheiros adiantaram-se, chegando à costa
atlântica com peças de ouro e prata. Aleixo de Garcia, todavia,
não voltou, sendo dizimado com sua expedição por índios bravios
de regiões paraguaias.
Atraídos pelas narrativas de êxito, espanhóis e portuguêses pro
curavam a serra da Prata. Subiram o rio da Prata, Sebastião Caboto,
desviando-se da sua rota; Diogo Garcia de Mogues; Pedro de Men
donça, o fundador de Buènos Aires; seu lugar-tenente, João de
Ayolas; Salazar e outros até Nuflo de Chaves, que viu desvanecidos
os sonhos platinos de alcançar a sorte cobiçada, uma vez que outros
homens também espanhóis já haviam penetrado pelo oceano Pací
fico e arribado à fonte das riquezas — o tesouro do Inca.
Mas por onde todos êles passaram ficou sentida a presença espa
nhola na região do Prata.
A Martim Afonso de Sousa chegaram as notícias da existência
de ouro, prata e pedrarias. Francisco de Chaves, de Cananéia, o con
vence a enviar, sob o comando de Pêro Lôbo e sua orientação,
grande expedição entradista que jamais regressou, destroçada que
foi por tribos indígenas.
As tentativas de Aleixo de Garcia e Francisco de Chaves foram
das primeiras entradas realizadas no Brasil, dando início, através
das terras do Paraná, à sua formidável expansão geográfica.
28
A EXPEDIÇÃO DE ÁLVARO NUNES CABEZA DE VACA
Enviado pelo rei da Espanha, veio à América verificar o que
restava da expedição de Pedro de Mendonça e o destino de João
de Ayolas, Dom Álvaro Nunes Cabeza de Vaca que traçou, no
Paraná e no Prata, memorável façanha da conquista espanhola.
Homem que já havia vivido a América em tôda a sua realidade,
experimentado e capaz, chegou à ilha de Santa Catarina, no litoral
sul-brasileiro.
Dali, vendo a impossibilidade de continuar viagem marítima
com todos os seus companheiros, seguiu por terra, trilhando
29
passos de Aleixo de Garcia, embrenhando-se na mata agreste da
orla atlântica, vindo repontar nos Campos Gerais, de onde conti
nuou, varando por duas vêzes o Iguaçu, até o grande rio Paraná,
atingindo finalmente o seu objetivo — Assunção, no Paraguai, atra
vés das terras do Paraná.
PROVÍNCIAS ESPANHOLAS E REDUÇÕES JESUÍTICAS
Procuraram os espanhóis estabelecer-se nas regiões ocidentais do
Paraná, a fim de efetivar e defender a sua posse na parte meridional
da América, resguardando pretensas riquezas q a indiada e, ainda,
legitimando os seus direitos segundo o Tratado de Tordesilhas.
Ergueram fortins, surgiram as vilas e organizaram as suas pro
víncias, como a do Paraguai, com ampla jurisdição e sede em
Assunção, baluarte espanhol à expansão territorial dos portuguêses
na América.
Os seus governadores, ou “adelantados”, empenharam-se em
fazer valer os direitos da Coroa espanhola quer ante os portuguêses,
como submetendo os indígenas.
Uns foram vencedores, outros vencidos pelas tribos indígenas,
até que entregaram a tarefa da submissão da indiada aos padres da
Companhia de Jesus.
Êstes, atendendo aos seus próprios fins de cristianização e civi
lização, e às solicitações de governadores espanhóis da província do
Paraguai, vieram pregar e catequizar os índios guairenses, na região
margeadora do rio Paraná.
Sentindo a dificuldade das distâncias, para melhor eficácia do
seu trabalho, resolveram aldear os índios em Reduções, nas quais,
sem que deixassem os seus antigos usos e costumes, levariam uma
vida cristã e civilizada, para maior glória de Deus e honra do rei
da Espanha.
Tiveram êxito êsses aldeamentos. Nêles viveram milhares de
indígenas reduzidos a uma vida ordenada, pela fé e bondade dos
padres jesuítas.
30
Sem choques, nem violências, agrupados em grandes comunida
des, as missões da Companhia de Jesus, nas terras paranaenses do
Güairá, tiveram grandeza, sobretudo, espiritual.
OURO EM PARANAGUÁ
Chamados por aquelas notícias da existência de ouro e prata
em Potosi, muitos foram os colonos portuguêses de São Vicente
que incursionaram pelo litoral sul-brasileiro, empenhados também
naquela procura ansiosa.
31
.
Alguns por ali ficaram, aparecendo os primeiros núcleos por* tuguêses na costa meridional da colônia.
.
^o/Levavam ^es v^a incerta e instável até que, em regiões do litoziM ji' ra^ paranaense, em Paranaguá, circulou a alastradora nova da desÇw coberta de ouroJl Havia ouro nas antigas terras de Martim Afonso
u1^ V
e pêro Lopes de Sousa.
Surge Paranaguá no oriente, um século após a grande entrada,
pelo interior paranaense, do espanhol Cabeza de Vaca rumo ao
ocidente e quando já as missões espanholas caíam vencidas pelos
ataques bandeirantes. K
-a] A primeira amostra de ouro foi levada para exame e registro
•/^em São Paulo, no ano de 1646, por Gabriel de Lara, personagem
ilustre e influente no pequeno povoado de Paranaguá, um dos seus
povoadores/tendo representado interêsses, tanto do Conde da Ilha
do Príncipe, como do Marquês de Cascais, no caso da disputada
herança da capitania de Pêro Lopes de Sousa.
Ativo, enérgico, participou Gabriel de Lara de todos os fatos e
acontecimentos do surgir de Paranaguá/conseguindo a sua eleva
ção à categoria de vila, pouco depois, em 1648. 2 3
O pequeno povoado de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá,
com a presença do ouro, transformara-se em centro populoso.
SUBINDO A SERRA DO MAR
Também no planalto se estabeleceram os portuguêses que por
ali passaram em busca de riquezas ou preando o indígena.
A descoberta de veios auríferos na encosta e serra acima, mais
atraiu colonos à zona de Curitiba. As suas matas e campos facilita
ram a fixação portuguêsa no planalto curitibano.
Dispersos pelos pinhais, campos, ou à beira dos rios, pouco a
pouco se foram agrupando os primeiros moradores da região.
^pEm 1668, o capitão-mor de Paranaguá, Gabriel de Lara, subindo
a serra do Mar, tomou posse, em nome da autoridade portuguêsa,
da nova povoação, mandando levantar o pelourinho, símbolo da
organização e justiça.
32
Êle foi erguido em terras povoadas por Mateus Martins Leme
que, ao lado de Baltasar Carrasco dos Reis e Ébano Pereira, reali
zou o povoamento efetivo do planalto de Curitiba.
Transcorridos vinte e cinco anos, a 29 de março de 1693, a pedido
dos homens bons da povoação, para melhor aplicação da justiça e
trabalho tranqüilo dos seus moradores, Curitiba foi elevada à cate
goria de vila, ainda por Mateus Leme, verdadeiro patriarca e figura
central dos primórdios curitibanos.
A pequenina vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curi
tiba, passou a concentrar o povoamento português no planalto
paranaense.
3 Pequena História do Paraná
33
O TEMPO DAS BANDEIRAS
Tempo heróico da história colonial brasileira foi aquele em
que os paulistas, preando o indígena para o trabalho escravo, pro
curando ouro e pedrarias e, mais ainda, desejosos de descobrir os
segredos da terra não explorada, embrenharam-se pelo sertão,
fazendo recuar, a cada passo da Bandeira, o meridiano de Tordesilhas.
Movimento espontâneo, voluntário, organizado e armado pelo
Bandeirante, constituiu, cortando e cruzando o interior brasileiro,
o espantoso avançar de nossas fronteiras.
34
Era a posse da terra pelo homem por ela conquistado.
O Paraná, rico em campos, matas, águas navegáveis, milhares
de indígenas, foi visitado freqüentemente pelas famosas bandeiras.
Em terras paranaenses andaram realizando incursões, entre ou
tros, Antônio Raposo Tavares, Manuel Prêto, Francisco Bueno,
Fernão Dias Pais.
A região do Guairá foi, por todos êles, a mais visada. Grandes
contingentes indígenas encontravam-se ali aldeados pelos padres
jesuítas das missões espanholas.
Foram os continuados ataques bandeirantes às Reduções Jesuíticas que valeram ao Paraná e ao Brasil a posse das terras de Guairá.
A DESTRUIÇÃO DAS REDUÇÕES
Atendendo à necessidade da catequese dos indígenas, os padres
jesuítas das missões espanholas haviam estabelecido, na zona para
naense de Guairá, as suas Reduções.
Elas prosperaram e, orientados pelos padres jesuítas, viviam
milhares e milhares de indígenas, notadamente guairenses, entre
gues a um trabalho pacífico e ordenado no amanho da terra e
criação do gado.
Mas não puderam ter as Reduções vida tranqüila por muito
tempo, logo despertaram a atenção e cobiça dos homens rudes do
planalto paulista que, em repetidos assaltos, as destruíram, matando
e escravizando os indígenas aldeados..
A bandeira de Antônio Raposo Tavares e Manuel Prêto, em
1629, foi a que desbaratou, por completo, a defesa das Reduções do
Guairá.
Milhares de indígenas foram mortos, outros escravizados, os
poucos que restaram, guiados pelos homens inolvidáveis da Com
panhia de Jesus, numa retirada heróica, escaparam descendo o rio
Paraná.
Depois de viagem infeliz e tormentosa foram êles acampar no
Rio Grande do Sul, onde renasceram, com maior esplendor, as
Reduções Jesuíticas.
85
LEITURA
TRECHO DA FUGA DOS INDÍGENAS E JESUÍTAS
DO GUAIRÁ
“A nossa retaguarda deixamos os de São Paulo, inimigos de nos
sos filhos; em nossa frente, do lado para onde havemos de ir, temos
os de Guairá, outros inimigos. De que maneira portanto nos havere
mos? Se nos demorarmos muito, talvez que nos alcancem os portuguêses que vêm em nosso encalço, se porém formos para diante
estaremos nas mãos dos brancos que nos esperam. Certamente, se
aqui ficarmos, em todo o caso, as jangadas faremos estragarem-se,
e não será mais possível irmos por água e passarmos aquela cachoeira
terrível”. Dizíamos assim conversando entre nós.
Depois disso eu fui adiante em canoa, e procurei os brancos onde
êles se achavam; entrei no arraial dêles, declarei-lhes a condição
pacífica de nossa gente, e mostrei-lhes também que êles, brancos,
eram maus. Não quiseram ouvir-me em verdade, sacaram cinco
espadas e dirigiram-nas para meu peito, querendo agarrar-me,
debalde porém, não me deixei vencer por êles, safei-me por entre
meio de suas espadas, para junto de meus companheiros, voltando
então.
Contei a êles onde é que estavam os brancos, onde queriam cair
sôbre os nossos filhos. Mandamos outra vez dois padres para pedirem
que nos dessem caminho, porém os tais do mesmo modo nem um
pouco quiseram ouvir nossas falas. Fomos conversar com êles ainda
mais vêzes repetindo os nossos pedidos para que nos dessem cami
nho como porém êles não dessem fé de nada, então sim eu me
abalançei a falar-lhes forte, dizendo-lhes: “Já por três vêzes nós
nos humilhamos bastante para vos pedir que nos désseis caminho,
debalde, vós não quisestes ouvir-nos de todo, por êste caminho que
aqui está contudo havemos nós de passar, e vós acautelai-vos. Se
fizerdes mal aos nossos filhos, se vós os assoberbardes, e os matardes,
sereis malditos; nós já nos declaramos bem a vós;” e vendo eu uma
mulher no meio dêles, “arredai a esta mulher para que se não ache
neste dia um cadáver de mulher no meio de cadáveres de homens”,
36
disse eu. Depois de dizer-lhes isto retirei-me simplesmente, voltando
para o lado dos meus companheiros. Os cristãos em ouvindo como
eu lhes havia falado com fôrça, consideraram afinal que os nossos
filhos formavam uma grande multidão, e que êles lá não eram mui
tos. “A gente que veio junto com os padres é muitíssima deveras, e
nós aqui somos apenas alguns,” disseram êles consigo ficando-se com
os corações murchos. Mandaram prontamente notícias atrás de nós,
nós lhes respondemos, e depois que se foram descemos ao lugar em
que estiveram. Ali pousou a gente tôda que saiu das jangadas e das
canoas. Por causa da grande altura donde a água se precipitava não
se quisera que por ali passasse canoa alguma. Não obstante porém
isso, nós experimentamos e atiramos 300 canoas que estavam vasias,
dizendo conosco: ao menos uma veremos sair salva, pois em verdade
depois de vencermos 25 léguas por terra, precisaremos embarcar
outra vez nas canoas. As 300 canoas caíram na cachoeira, e por se
terem precipitado com muita fôrça pelas pedras por fim de contas
se espatifaram ficando reduzidas a pedaços de pau, que iam rolando.
Por êsse motivo deixamos as outras canoas e caminhamos por terra.
Mulheres e raparigas, homens e rapazes levavam as suas cargas, as
suas coisas miúdas, cada um segundo as suas fôrçás. Coisas destina
das à adoração de Deus, as violas, rabecas, flautas, trombetas, e ou
tras coisas pertencentes à música deixaram à toa, pois era muito
difícil que se as levasse por não haver burros nem cavalos nem bois
para nos ajudarem. Dentro de oito dias nós chegamos ao rio no lugar
onde cuidávamos que embarcaríamos de novo, supondo que os
padres residentes para baixo do Paraná tivessem para ali mandado
canoas para serventia de nossos filhos, e também mantimento. Ali
porém não encontramos coisa alguma, os padres estavam muito mais
longe, e as notícias que nós lhes tínhamos mandado, depois de muita
demora sòmente chegaram até êles; e somente por causa disto não
encontramos aquêles que tínhamos esperado debalde que nos vies
sem ajudar.
Padre Antônio Ruiz Montoya
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SUGESTÕES PARA QUESTIONÁRIO
I
2
3
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5
6
7
8
9
— O que atraiu os portuguêses e espanhóis às terras de Potosi?
— A procura de riquezas fêz conquistar e colonizar a região do Prata?
— Como surgiram os primeiros estabelecimentos portuguêses no litoral
sul-brasileiro?
— A expedição de Martim Afonso de Sousa explorou o rio da Prata?
— Pelo tratado de Tordesilhas a quem pertencia a foz do Prata?
— Quais os caminhos que levavam à serra da Prata?
— Cite algumas expedições que, através das terras do Paraná, foram à
procura de riquezas.
— Quem foi Álvaro Nunes Cabeza de Vaca?
— Qual o seu roteiro para chegar ao Paraguai?
B
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14
15
16
17
18
19
— Podiam os espanhóis estabelecer-se nas regiões ocidentais do Paraná?
— Os “adelantados" do Paraguai submeteram a todos os indígenas da
região?
— A quem foi entregue a tarefa de submissão dos indígenas do Guairá?
— 0 que eram as "Reduções Jesuíticas”?
— Como viviam ali os indígenas guairenses?
— Alcançaram êxito as missões jesuíticas do Guairá?
— Tiveram elas vida calma e duradoura?
— Por que atraíram a cobiça dos bandeirantes?
— Qual a bandeira que provocou maiores destruições nas Reduções?
— Procure localizar no mapa do Paraná a região das Reduções.
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— Como foi iniciado o povoamento de Paranaguá?
— Qual a notícia que atraiu grande número de colonos?
— Quem foi Gabriel de Lara?
— Quando Paranaguá foi elevada à categoria de vila?
— Os portuguêses também se estabeleceram no planalto?
— Quando foi elevado o pelourinho de Curitiba?
— Quem foi Ébano Pereira?
— Por que Mateus Leme se destaca na história do Paraná?
— Quando Curitiba foi elevada à categoria de vila?
10
11
C
38
29
30
31
32
33
34
35
— Qual o seu antigo nome?
— Qual o objetivo das bandeiras e bandeirantes?
— Eram movimentos oficiais ou espontâneos?
— 0 Paraná atraiu muitas bandeiras?
— Cite bandeirantes famosos que estiveram no Paraná.
— Qual a região do Paraná mais visada pelas bandeiras?
— Quais as grandes conseqüências do movimento bandeirante?
39
III
DEFINIÇÃO TERRITORIAL
VIDA SOCIAL DO PARANÁ NOS PRIMEIROS TEMPOS
Paranaguá, centro de mineração do ouro, havia recebido tôda
sorte de homens aventureiros que procuravam riqueza fácil e rápida.
A vila de Nossa Senhora do Rosário tomara-se populosa e agitada.
A extração, o comércio, cunhagem, barragem e quintagem do
ouro davam à vila feições características.
Reinava certa instabilidade e turbulência ao lado da vida austera
dos antigos moradores e pessoas sensatas, os chamados “homens bons”
de Paranaguá, chefes de famílias que reclamavam a instituição da
comarca, a fim de que houvesse melhor, pronta e eficaz justiça e
ainda ordenação no povoado.
Esparsos pelo planalto, os moradores de Curitiba se haviam
condensado em grandes famílias vivendo, mais ou menos, isoladas,
realizando uma economia doméstica e delineando perfeitamente no
Paraná uma sociedade, cujo fundamento era a família patriarcal
rural.
NOVAS ATIVIDADES ECONÔMICAS
Preocupados, a princípio, apenas com a exploração e mineração
do ouro, os paranaenses logo sentiram a necessidade econômica da
criação do gado que os campos do planalto favoreciam.
Quando os veios auríferos não mais apareciam ou produziam
em abundância, mesmo se pode dizer que o ouro no litoral para
naense não foi copioso, êles se entregaram com ardor a novas ocupa
ções.
41
Surgem, no planalto curitibano, fazendas extensas de gado,
fixando a população à terra, onde famílias patriarcais exerciam as
suas àtividades de maneira independente, até da autoridade portuguêsa, defendendo-se de ataques indígenas e quase sempre indife
rentes ao desenvolver de outros núcleos de povoação.
Também já nessa época os paranaenses extraíam o mate, cujo uso
era remoto nas terras da América. Planta nativa de fácil industria
lização, foi uma das nossas primeiras fontes de trabalho e riqueza.
Os pinhais por sua vez despertavam a atenção dos curitibanos,
a extração da madeira veio a ser fator preponderante na vida eco
nômica do Paraná.
Era o meio físico, de campos e matas, possibilitando aos para
naenses atividades econômicas.
VIAS DE PENETRAÇÃO E ESTRADAS
Tiveram grande importância no nascimento e evolução das
povoações coloniais brasileiras e paranaenses, as vias de penetração,
algumas pré-cabralinas, isto é, anteriores à chegada de Pedro Álvares
Cabral, marcadas pelas repetidas passagens dos indígenas em suas
costumeiras andanças quer no litoral, como nos planaltos.
Uma delas é o caminho famoso do Peabiru ou de São Tomé,
atravessando terras do Paraná, percorrido por inúmeras expedições,
como aquela de Álvaro Nunes Cabeza de Vaca.
A presença da serra do Mar constituiu obstáculo a intenso povoa
mento vindo do litoral, mas seguindo picadas, como as do Arraial
Grande, Atuba, Cubatão, os mineradores de Paranaguá atingiram,
serra acima, o planalto curitibano. Por elas, nos primeiros tempos,
se fizeram as relações entre Paranaguá e Curitiba.
Mais tarde, as estradas de Itupava, do Arraial, da Graciosa, eram
percorridas pelos curitibanos rumo ao mar e pelos parnanguaras
subindo a serra.
As estradas, sobretudo aquelas mandadas construir quando Por
tugal resolvera tomar posse das terras meridionais da colônia até
ao rio da Prata, dando ao Brasil fronteiras naturais, representaram
papel transcendente na evolução dos povoados sulinos.
42
Assim, por exemplo, a estrada de Laguna, ligando o Rio Gran
de do Sul a São Paulo, através de Curitiba, dela fêz o centro
político, social e econômico do planalto, ponto convergente de
onde se irradiou o povoamento dos sertões do Paraná.
Paranaguá começara a perder a sua influência no desenvolvi
mento do planalto.
TROPAS E TROPEIROS
Iniciada a criação do gado no planalto curitibano, aberta a
estrada de Laguna, o Paraná nitidamente se caracterizou como zona
de trânsito, vendo passar pelos seus caminhos as tropas que, dos
campos do Viamão, no Rio Grande do Sul, seguiam para as feiras
de Sorocaba, em São Paulo.
43
Muitas, de centenas de cabeças, como aquelas tropas de mulas
do tropeiro povoador Cristóvão Pereira de Abreu, transitaram pelos
campos do Paraná.
Cristóvão Pereira de Abreu foi, na história do povoamento dos
campos sulinos, da criação e comércio do gado, figura dominante.
Em Curitiba era realizado o comércio do gado; ali se abaste
ciam de carnes os bandeirantes paulistas e os' mineradores das
Gerais.
Por-onde passavam as tropas, caminhava também o povoamento.
Ao longo das estradas do gado surgiram novos povoados. Antigas
cidades do Paraná nasceram à beira dos caminhos das tropas.
Lapa, Campo-Largo, Palmeira, Ponta-Grossa, Castro, Piraí,
Jaguariaíva, Itararé, tiveram a sua origem em antigas fazendas, pou
sos e currais das tropas que passaram pelo Paraná.
CÂMARAS MUNICIPAIS E CAPITÃES-GENERAIS
Nos tempos coloniais, instaladas as vilas, logo se organizavam,
por eleição entre os homens bons, as suas Câmaras Municipais que,
no Brasil-Colônia, representaram exemplo vivo da influência e pre
ponderância grupai localista.
Altivas e independentes, as câmaras municipais arrogavam-se as
maiores atribuições, mesmo se revestindo de poderes próprios aos
capitães-mores e governadores de capitanias e chegando, não poucas
vêzes, a suspendê-los de suas funções, sem consulta ao govêrno da
Metrópole.
Quando Portugal resolveu efetivar a política de fronteiras e
assegurar a posse do território sul-brasileiro, foi necessário abater
o orgulho e autonomia das câmaras municipais, tarefa que desem
penharam, no início do século 18, num momento de acentuado mili
tarismo, os Capitães-Generais governadores das capitanias.
Êles realizaram a política portuguêsa, assim, não coube mais a
iniciativa local e particular, mas o domínio do Estado.
Acabaram-se as bandeiras, apareceram as expedições militares
povoadoras, explorando regiões desconhecidas e isoladas, com o fito
de povoamento e posse de fato da terra.
Era o instante em que o Estado organizado, com a sua autori
dade, assegurava a terra para si.
44
A POLÍTICA DE FRONTEIRAS
A chamada política de fronteiras desenvolvida na colônia portuguêsa da América que, por mais de cento e cinqüenta anos agi
tou o Sul brasileiro, teve início no decreto do rei de Portugal que
ordenava a posse das terras situadas de Laguna, em Santa Catarina,
até às margens do rio da Prata.
Elas não lhe pertenciam pelo Tratado de Tordesilhas, mas se
caracterizaram no correr de dois séculos, como faixa neutra, entre
a expansão portuguêsa ao sul e a espanhola subindo o rio da Prata,
constantemente palmilhada por incursões de portuguêses e caste
lhanos.
Em conseqüência do decreto real e da orientação portuguêsa de
fronteira natural ao Brasil, é fundada por D. Manuel Lôbo, à mar
gem esquerda do Prata, a Colônia do Santíssimo Sacramento.
Foi o toque de repetidas guerras entre portuguêses e castelhanos
de Buenos Aires, pela posse da colônia, que culminaram com a
conquista do Rio Grande do Sul e influenciaram, de modo atuante,
a vida das terras meridionais do Brasil.
Também se voltou para o ocidente a política de fronteiras de Por
tugal, a fim de que fôsse assegurada a conquista territorial bandei
rante. Foi o tempo em que os capitães-generais realizaram a explo
ração e povoamento dos sertões do Paraná.
O TRATADO DE MADRI
Por questões de fronteiras, viviam as colônias portuguêsas e
espanholas da América do Sul, em constante sobressalto.
A Espanha, visando a impedir maior expansão portuguêsa, e
Portugal, desejoso de garantir as conquistas já efetuadas, procura
ram após anos de lutas e dissabores, resolvê-los diplomaticamente.
Das conversações, em que se distinguiu na defesa dos interêsses
do Brasil o paulista Alexandre de Gusmão, resultou' o segundo
grande tratado de limites e fronteiras, o Tratado de Madri, cujo
fundamento era o direito de ocupação e posse.
45
A terra seria de quem, de fato, tivesse a posse e efetivo domínio.
Assim poderíam ser legitimadas as conquistas territoriais portu
guesas, além dos limites do Tratado de Tordesilhas. O pequeno
país litorâneo passaria ao gigante continental de hoje.
O Paraná, a não ser em estreita faixa do litoral, pertencente à
Espanha, graças, primeiro, ao arrojo dos bandeirantes, depois,
à pertinácia e valor dos capitães-generais e seus comandados, seria,
pelo Tratado de Madri, incorporado à Coroa portuguêsa.
A MISSÃO DO MORGADO DE MATEUS
Era necessário ao cumprimento do Tratado de Madri, embora
não tivesse êle perdurado em virtude de guerra entre Portugal e
Espanha, e ganho de causa aos portugueses na delimitação das
fronteiras do Brasil, que êles, além da posse, tivessem o efetivo do
mínio da terra pretendida.
Assim, como decorrência e imposição do Tratado de Madri, se
lançou a política portuguêsa à conquista definitiva das fronteiras do
Brasil, rumo a dois pontos capitais: o Prata e o Paraguai. Lá, as
terras meridionais do Rio Grande do Sul, aqui, o ocidente do
Paraná.
Desempenhar difícil missão veio ao Brasil, como capitão-general da restabelecida capitania de São Paulo, D. Luís Antônio de
Sousa Botelho Mourão, Morgado de Mateus, em Portugal.
Homem forte, não teve dúvidas em fazer cumprir o programa
que traçara o Marquês de Pombal, ministro português.
Ao Paraná enviou seu lugar-tenente, D. Afonso Botelho de
Sampaio e Sousa, de igual fibra do capitão-general, o Morgado de
Mateus.
São organizadas e despachadas ao oeste do Paraná as primeiras
expedições, outras se sucedem, abrindo sertões e varando rios até
aos espanhóis do Paraguai.
D. Luís Antônio manda construir, e Afonso Botelho é fiel exe
cutor, a Fortaleza da Barra de Paranaguá, para a defesa do litoral
e possível amparo do interior.
46
Ao sertão do Paraná saíram as companhias de Domingos Lopes
Cascais, Estêvão Ribeiro Baião, Francisco Nunes, Antônio da Sil
veira Peixoto, Bruno Filgueiras, Francisco José Monteiro, Francisco
Martins Lustosa e outros. Acompanhando a expedição de Francisco
José Monteiro, seguira Cândido Xavier de Almeida e Sousa, o
descobridor dos campos de Guarapuava.
O Paraná deve ao Morgado de Mateus, os passos decisivos da
sua definição territorial. Depois dêle cessou o ardor das expedições
exploradoras e povoadoras; sòmente com a vinda da família real
portuguêsa ao Brasil, novamente se cogitou da conquista e ocupa
ção dos imensos campos descobertos.
A EXPEDIÇÃO DE DIOGO PINTO DE AZEVEDO
PORTUGAL
Depois do enorme trabalho de D. Luís Antônio Mourão na
determinação das fronteiras meridionais do Brasil, desde o fracasso
da expedição de D. Afonso Botelho aos campos de Guarapuava,
houve um período de cêrca de quarenta anos em que ficaram êles
no abandono. Só a presença da família real no Brasil e a gravidade
dos acontecimentos da fronteira do Prata, provocaram a ocupação
efetiva dos campos de Guarapuava.
Por ordem do príncipe regente D. João, foi organizada real
expedição povoadora, cujo comando foi entregue ao sargento-mor
do Regimento de Milícias de Curitiba, Diogo Pinto de Azevedo
Portugal, em alto reconhecimento de serviços já prestados.
A expedição tinha como objetivo o povoamento dos campos de
Guarapuava, de maneira pacífica, evitando choques com a indiada
que, pelo contrário, deveria ser catequizada, instruída e protegida.
Foi capelão da tropa expedicionária o padre Francisco das Chagas
Lima que, pelo trabalho apostólico desenvolvido entre os indíge
nas de Guarapuava, pode ser considerado um dos grandes missioná
rios do Brasil.
47
A expedição deveria fundar novas povoações, distribuir terras,
realizar a abertura de estradas de ligação, enfim, ocupar de maneira
ativa as terras paranaenses de Guarapuava.
Chegados, aos campos de Guarapuava, após viagem difícil e atri
bulada, quando obstáculos surgiam a todo momento, Diogo Pinto
de Azevedo Portugal fêz iniciar o povoamento e cumprir as deter
minações recebidas, apesar da intriga e divergência de muitos.
OS CAMPOS DOS BITURUNA
Habitados por bravias tribos indígenas, principalmente dos
Bituruna, estavam os campos de Palmas sem efetiva ocupação
branca e portuguêsa, até os meados do século dezenove.
48
Atraíram duas expedições que, a igual tempo, os alcançaram, a
de Pedro Siqueira Cortes e Joaquim Ferreira dos Santos, fato êste
que determinou, a princípio, lutas entre os homens das expedi
ções pela posse de melhores terras.
O perigo de ataques indígenas fêz resolver, por decisão de árbi
tros que dividiram as terras, a situação de disputas dos expedicioná
rios entre si e ainda com aquêles que chegaram mais tarde.
Após tôdas estas expedições estavam firmados os limites ociden
tais do Paraná, barrancas do grande rio Paraná, conquistados e
povoados os campos de Guarapuava e Palmas, que compreendiam
terras pertencentes às antigas missões espanholas do Guairá.
LEITURA
O USO DO MATE
O uso do mate na América do Sul é conhecido desde os pri
meiros tempos da sua descoberta. A palavra Mate, é uma adulteração
de Mati, vocábulo quíchua (índios do Peru), que significa cuia
ou porongo, que é o recipiente onde a infusão de folhas de erva
é feita; êste nome passou do recipiente ao conteúdo, adotando-se
em tôda a América do Sul a palavra mate para significar a bebida
feita com erva. No Peru os conquistadores espanhóis o encontra
ram em grande uso entre os nativos, e especialmente entre os tra
balhadores empregados na exploração das minas e em outros serviços
que requeriam grande esforço físico. No Paraguai, os jesuítas o en
contraram em uso entre os indígenas, que nas longas marchas e
trabalhos rudes o usavam, mascando as folhas verdes, das quais
recebiam extraordinário alento.
Na parte sul do Brasil era conhecido e usado pelos índios que
reverenciavam o CAÁ, palavra que em língua guarani quer dizer
“erva excelente”.
O preparo do mate obedece a duas fases distintas: a primeira,
na mata ou, mais pròpriamente, no erval e nos secadores do in
terior; a segunda, nos engenhos de beneficiar a erva.
49
A colheita, que é feita de maio a outubro, consiste em cortar
os ramos mais frondosos e portanto mais maduros dos pés de ervamate. Logo após colhida, a erva é sapecada, isto é, sofre uma
ligeira tostação à chama viva de fogo de lenha feito com madeiras
especiais. Esta tostação tem por fim evitar a fermentação das folhas.
A secagem ou essicação é a operação mais importante que o
mate sofre, e por ela adquire o aroma agradável que tanto o dis
tingue. Ela se opera em aparelhos especiais chamados “barbacuá”
nos quais sòmente os raminhos e folhas são admitidos. A trituração
é a operação seguinte, que tem lugar em uma espécie de batedores
com facas de madeira duríssima, que trituram a erva e os ramúsculos
até a grossura desejada. Na ventilação e separação, as poeiras, cascas
50
e outros corpos estranhos são então eliminados, e, ensacada, a erva
é remetida aos engenhos para o seu completo beneficiamento e
formação dos tipos adequados aos diversos mercados mundiais.
Há duas maneiras principais de preparar o mate, uma é sob a
forma de chá, outra, mais primitiva, é a de usar-se como chimarrão.
Esta é a infusão de erva quase pulverizada e que vem para êsse
fim já pronta, é o sistema pelo qual milhões de sul-americanos,
costumam usá-lo, repetidas vêzes por dia; prepara-se utilizando-se
de uma cuia e de uma bomba. A cuia é um recipiente feito ge
ralmente de uma cucurbitácea sêca, cuja casca consistente, prestase bem a êste mister. A cuia é geralmente ornada de um aro
metálico na sua bôca e por vêzes provida de um pé também me
tálico. Quase sempre ambas as guarnições são de prata pois êste
metal tem, além de outras qualidades, a de ser tido como microbicida. O mate é colocado na cuia em cêrca da metade da sua
capacidade, e com a bomba é ligeiramente comprimido, “cevado”,
como se costuma dizer. A bomba, que é também metálica, quase
sempre de prata, às vêzes com o bocal de ouro, tem a sua parte
inferior arredondada, chata e provida de pequenos furos que,
permitindo a absorção do líquido, impedem todavia a passagem de
fragmentos de erva. Uma vez comprimida a erva e colocada a bomba
de modo que toque o fundo da cuia, deita-se nela água bem quen
te, mas não fervendo, e absorve-se a infusão, repetindo a colocação
de água e absorções várias vêzes. Geralmente uma cuia carregada
pela metade de erva, dá perfeitamente dez a quinze vêzes a sua
carga de água quente.
Instituto do Mate do Paraná
51
NHÔ JOÃO, O TROPEIRO
Por essas noites de frio
Batidas de água e tufão,
Num rancho, à beira do rio,
Eu me quedo, horas a fio,
A conversar com nhô João. .
É um velho... Rude e trigueiro,
Envolto num ponche azul,
Fumando, a olhar o braseiro,
Começa o antigo tropeiro
Contar-me histórias do Sul.
Ao longe, muito a distância,
Os tempos perdem-se já,
Em que êle, todo arrogância,
Ia de estância em estância,
Buscando tropas por lá.
Na sua bêsta tordilha
De manchas brancas no pé,
Nhô João, tocando a tropilha,
Cortava muita coxilha
Para chegar em Bajé!
E lá, de tais cercanias,
Êle, viril rapagão,
Puxava, dias e dias,
Pontas de mulas bravias,
Para vender no sertão.
52
Que linda! Assim que a alvorada
Tingia o céu de listrões,
Já a tropa, a xucra manada,
Trotava ao longo da estrada,
Por entre a grita dos peões:
Eh mula! Vorta! Caminha!
E os ecos vibravam no ar,
Enquanto, lerda e sozinha,
Ia na frente a madrinha
Com seu cincerro a tocar...
Que vida simples e honesta!
Como era bom, no verão,
Ter o descanso da sesta,
No meio duma floresta,
À beira dum ribeirão!
À tarde, quando caía
A sombra crepuscular,
Era de ver a alegria,
Com que a peonada escolhia
Um sítio para acampar.
Então, descendo as bruacas,
Queimados, fulvos de suor,
Sôbre improvisas estacas,
Erguiam logo as barracas,
Soltando a tropa em redor...
Ah, nada mais delicioso,
Ah, nada mais doce então,
Do que, na calma do pouso,
Ter um churrasco cheiroso,
E a cuia de chimarrãol
58
E entre histórias de rodeio,
Contos, gauchadas febris,
Aos poucos, num devaneio,
Sôbre os pelegos do arreio,
Dormir um sono feliz...
E o velho, a voz rude e grossa,
Relembra com efusão:
“Que viage... Eta festa — nossa! —
No dia em que Ponta Grossa
Despontava no espigão...”
A história sempre êle acaba,
Pintando, com muita côr,
As feiras de Sorocaba,
Onde encontrara uma “diaba”
Por quem morrera de amor...
Assim, lembrando o passado,
Nhô João, com frio desdém,
Termina desconsolado:
“Hoje tá tudo mudado!
Vem tudas as coisa no trem...”
E ali, no humilde pardieiro,
Envolto num poncho azul,
Saudoso, olhando o braseiro,
Conta-me o velho tropeiro
Longas histórias do Sul...
PAULO SETÜBAL
54
SUGESTÕES PARA QUESTIONÁRIO
A
— Qual a descoberta que atraiu muitos aventureiros à zona de Para
naguá?
2 — No tempo do òuro reinava ordem e calma em Paranaguá?
3 — Por que os “homens bons” de Paranaguá reclamavam a instituição
da comarca?
4 — Quem eram os chamados “homens bons”?
5 — Como viviam as famílias no planalto curitibano?
6 — O que significa "patriarcal rural”?
7 — Quais as atividades econômicas dos homens do planalto?
8 — Os campos favoreciam a criação do gado?
9 — A erva-mate é planta nativa da América?
10 — Por que os pinhais de Curitiba despertavam a atenção dos curitibanos?
11 — O meio físico exerceu influência em nossas primeiras atividades eco
nômicas?
B
12 — As vias de penetração influenciaram a vida dos povoados coloniais?
13 — Quais as que levavam de Paranaguá a Curitiba?
14 — Qual a importância da estrada de Laguna?
15 — O Paraná foi zona de trânsito das tropas de gado?
16 — De onde vinham e para onde se dirigiam essas tropas?
17 — O que fêz Cristóvão Pereira de Abreu?
18 — A criação e o comércio do gado favoreceram o povoamento do pla
nalto curitibano?
19 — O que sabe acêrca da origem de antigas cidades do Paraná?
20 — Cite algumas cidades do Paraná que foram caminhos das tropas de
gado.
C
21 — As câmaras municipais representavam a influência e o poder local?
22 — Quem abateu o orgulho e a independência das câmaras municipais
do Brasil?
23 — Em lugar das bandeiras, quais as expedições que surgiram no
século 18?
24 — Qual o objetivo dessas expedições?
25 — Quem fundou a Colônia do Sacramento e por quê?
55
26 — A fundação da Colônia do Sacramento foi motivo para lutas entre
portugueses e castelhanos?
27 — Por que os capitães-generais se preocuparam com a exploração e povoa
mento do sertão do Paraná?
28 — Quando e por que foi celebrado o Tratado de Madri?
29 — Por êle Portugal legitimou as conquistas bandeirantes?
30 — Qual a missão do Morgado de Mateus?
31 — Quem foi Afonso Botelho de Sousa?
32 — Quem mandou construir a Fortaleza da Barra de Paranaguá?
33 — Cite expedições militares povoadoras do sertão do Paraná.
34 — Quem descobriu os campos de Guarapuava?
35 — Qual a expedição povoadora dos campos de Guarapuava?
36 — Qual o missionário dessa expedição?
37 — Quais os indígenas que, principalmente, habitavam os campos de
Palmas?
38 — Quais as expedições que chegaram aos campos de Palmas?
39 — Por que houve lutas entre os homens dessas expedições?
40 — Após tôdas essas expedições, estava o Paraná definido territorialmente?
56
IV
•
EMANCIPAÇÃO POLÍTICOADMINISTRATIVA
PROGRESSO DA COMARCA DE PARANAGUÁ
Criada por volta de 1723, a conselho do ouvidor-geral Pires Pardinho e a rôgo dos cidadãos, a comarca de Paranaguá aumentou
consideràvelmente pela expansão territorial do século 18, por ocasião
da marcha das expedições militares povoadoras, em procura das
fronteiras do Paraná que levaram às barrancas do grande rio.
As atividades do planalto, criação e comércio do gado, lavoura
florescente, a par das primeiras indústrias extrativas — erva-mate
e madeira, ainda a exploração do ouro no litoral — deram à co
marca esplêndido desenvolvimento econômico.
Curitiba e Paranaguá eram os grandes centros, já se avizinhando
a preponderância daquele na vida histórica do Paraná.
No surgir do século dezenove, estava a comarca de Parana
guá, pelo seu intenso progresso, capacitada à autonomia políticoadministrativa.
OS IDEAIS DE EMANCIPAÇÃO DA COMARCA
Realizada a definição territorial brasileira, cansadas do pesado
militarismo e abafamento das liberdades locais, exercidos pelos
capitães-generais, as câmaras municipais do Brasil, no comêço do
século dezenove, retomaram em movimento antiportuguês, o seu
antigo poder e prestígio.
57
Era o espírito localista brasileiro em antagonismo à Metrópole.
Em Paranaguá também vingaram os ideais de autonomia local,
pregando a separação da comarca da capitania de São Paulo.
s"'
De outro lado, o progresso da comarca exigia a autonomia político-administrativa.
O comércio e a indústria estavam como que amarrados pela
falta de administração local; nem mesmo as rendas públicas eram
fiscalizadas de maneira satisfatória.
Tais causas, somadas a outras, como a prepotência e hostilidade
de representantes do govêrno da capitania, levaram os parnanguaras, sua câmara municipal na vanguarda, depois todos os paranaen
ses, a lutar pela emancipação da comarca de Paranaguá.ú^Representaram junto ao príncipe regente D. Joãp, solicitarído a
desejada autonomia, mas não foram atendidosjxuma vez que esta
separação contrariava os interêsses político-econômicos de São Paulo,
de maior influência na época.
/
TENTATIVAS DE EMANCIPAÇÃO
Em virtude de revolução havida em Portugal, foram os seus reis,
conselhos e câmaras obrigados a jurar as bases da Constituição portuguêsa, baixadas pelas Cortes de Lisboa.
Em Paranaguá se marcou data, hora e local, 15 de julho de
1821, para o juramento das bases da Constituição e fidelidade ao
govêrno, pelas autoridades, tropa e povo. X
triotas do Paraná, defensores da autonomia da comarca, ar-'
aram proclamar a sua emancipação de São Paulg^quando no/
> juramento estivessem todos reunidos.
X Floriano Bento Viana, sargento do Regimento de Milícias, o
mais valoroso e entusiasta, deveria lançar em praça pública tal
proclamação.
No dia aprazado, juradas as bases da Constituição e fidelidades,
Floriano Bento Viana, adiantando-se de sua tropa, requer a no
meação de um govêrno provisório autônomo. X
Autoridades presentes declaram-se contrárias. Os separatistas
permanecem mudos, não se manifestando públicamente em apoio
de Floriano Bento Viana e^fracassa a sua tentativa de emancipação
da comarca de Paranaguá de São Paulo.
e
58
AUTONOMIA DO PARANÁ
Três grandes personagens devem ser destacadas na história da
campanha autonomista da província do Paraná: Floriano Bento
Viana, Manuel Francisco Correia Júnior e-o tropeiro Francisco de
Paula e Silva Gomes que deram o melhor do seu entusiasmo e tra
balho em favor da emancipação da comarca.
Após o fracasso da tentativa de Floriano Bento Viana, não
arrefeceu o ardor dos paranaenses pela autonomia provincial, para
maior progresso e desenvolvimento do Paraná.
Passados os dias momentosos da Independência do Brasil, vol
taram os homens de Paranaguá e tôda a comarca a solicitar, em
repetidas petições, a emancipação político-administrativa de sua
terra.
Motivos de ordem nacional vieram fortalecer as razões paranaen
ses e possibilitar efetivamente a realização dos seus ideais.
Assim, a necessidade de'defesa das fronteiras do Brasil com as
repúblicas Argentina e do Paraguai, o receio de propagação da
revolta dos Farrapos e a revolução liberal de Sorocaba que, agitan
do a província de São Paulo em oposição à política imperial, não
contou com o apoio dos paranaenses que permaneceram neutros,
falaram a favor da emancipação do Paraná.
Depois de dez anos de acirrados debates e discussões no Parla
mento do Império, em 29 de agosto de 1853, finalmente, passava o
projeto de lei de Honório Hermeto Carjieiro Leão, futuroJVÍarquês
do Paraná, dando à 5.a Comarca da Província de São Paino a sua
tão almejada autonomia político-administrativa.
A INSTALAÇÃO DA PROVÍNCIA DO PARANÁ
Criada, pelo projeto do Senador Carneiro Leão, a província do
Paraná, após meio século de propaganda e luta, atendendo, a rele
vantes motivos de ordem superior, foi ela solenemente instalada a
19 de dezembro de 1853.
59
Os seus limites e fronteiras eram os da antiga 5.a Comarca da
Província de São Paulo.
Primeiro presidente da província do Paraná foi o Conselheiro
Zacarias de Góis e Vasconcelos que, trazendo importantes e graves
encargos, a todos soube cumprir em dias decisivos da história
paranaense.
Pôde o Paraná, por rara felicidade, contar com o trabalho, ener
gia e capacidade do Conselheiro Zacarias, que pôs a funcionar a
máquina político-administrativa da nova província, promovendo
também novas realizações materiais e culturais.
Constituída a Assembléia Legislativa Provincial, foi sua primeira
lei aquela que, em 26 de julho de 1854, estabelecia a cidade de
Curitiba, Capital da Província do Paraná.
60
Independente e organizado, o Paraná iniciou a sua ascensão no
cenário nacional.
OCUPAÇÃO DA TERRA PELO PROPRIETÁRIO
PRIVADO
Continuando as épicas bandeiras e expedições militares povoadoras que deram e garantiram a extensão territorial brasileira, pro
cessou-se, agora silenciosa, mas contínua e efetiva, fase nova do mo
vimento de conquista e ocupação da terra.
Àos poucos o homem se infiltra nas grandes sesmarias, cultiva
a terra esquecida e ergue a sua choupana no sítio deserto, x
É o tempo do esforço pessoal do homem, estabelecendo a sua
propriedade privada sôbre a terra. Êle a procura, nela se fixa e
desenvolve o seu trabalho cotidiano, aproveitando-a economica
mente na lavoura e criação do gado. j><
Não é o dono da terra, ela é do sesmeiro que a obteve nos
primeiros tempos do povoamento, mas pelo direito de-nosse, usoz
e efetivo domínio, vê reconhecida a sua ocupação.
Arraigado à terra, vivendo nas atividades do campo, êle realiza
uma economia de tipo rural, predominante no século dezenove.^
O PARANÁ NAS QUESTÕES INTERNACIONAIS DO
IMPÉRIO
O Paraná, comarca ou província, estêve presente a tôdas as gran
des questões da política internacional, sustentadas pelo Segundo
Império, prestando a sua contribuição material e humana.
Participaram os paranaenses das campanhas da intervenção im
perial nos negócios do Prata e, quando da guerra do Paraguai, a
nova província do Paraná, relativamente, foi das que enviaram
maiores contingentes de tropas, sofrendo bem de perto os azares da
guerra.
O caso internacional em que ressalta a participação do Paraná,
foi o do combate ao navio inglês Cormorant que, ferindo a sobe
rania nacional, violou a barra de Paranaguá, chegando mesmo a
penetrar no pôrto.
61
A questão teve origem na proibição do tráfico de escravos, cele
brada no tratado de reconhecimento de nossa indepedência, em
acordo com a Inglaterra. Mas tal proibição não foi respeitada, re
solvendo o govêrno inglês patrulhar os mares, a fim de apresar navios
negreiros.
Uma galera e três bergantins brasileiros realizavam o tráfico
proibido. Escapando à perseguição dos inglêses, refugiam-se na baía
de Paranaguá, onde, dentro da barra, são alcançados e aprisionados
pelo cruzador Cormorant da marinha inglêsa.
Fracassadas as tentativas de parlamentação, os parnanguaras,
ofendidos os brios nacionais, armam os canhões da Fortaleza da
Barra e abrem fogo.
62
Trava-se rápido tiroteio entre a fortaleza e o cruzador, êste foge,
incendiando duas das embarcações brasileiras e levando a galera
traficante.
Movimenta-se a política internacional do Império e, em conseqüência do caso Cormorant, é votada e sancionada a lei Eusébio
de Queirós, que proibia, taxativamente, o tráfico de escravos.
O episódio Cormorant, vivido pelos paranaenses, representou
momento decisivo na história da abolição da escravatura no Brasil,
pois que, proibido o tráfico, se esgotou a grande fonte da escravaria negra.
O TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL
Desde a época da introdução da cana-de-açúcar no Brasil, quando
faltaram braços à sua lavoura e ao trabalho nos engenhos, recorre
ram os portuguêses ao trabalho escravo, primeiro do indígena, mas
êle não se adaptou e foi trazido à nossa terra o negro africano.
Durante os tempos coloniais, o Brasil teve a sua vida econômica
baseada no trabalho escravo do. negro importado, situação que
perdurou até os dias do Segundo Império.
Aos milhares entraram êles no 'Brasil, principalmente nas zonas
da cultura da cana-de-açúcar, contribuindo para a nossa formação
étnica.
Muito logo,.no entanto, a escravidão negra passou a ser olhada
como terrível mancha na vida social brasileira.
Teve início a campanha abolicionista que, no século passado,
mais se avivou com a proibição do tráfico escravo que provocou
o caso do cruzador inglês Cormorant, em Paranaguá.
Seguindo a lei Eusébio de Queirós, conseguiram os abolicionistas
fôssem baixadas as leis do Ventre-Livre e da Libertação dos Sexa
genários, etapas da vitoriosa campanha que culminou na lavratura
da Lei Áurea, concedendo geral abolição do cativeiro negro no
Brasil.
A PARTICIPAÇÃO DO PARANÁ NA CAMPANHA
ABOLICIONISTA
O contingente negro não foi grande no Paraná, pois que, a
princípio, aqui não se desenvolveram as tradicionais atividades eco
nômicas da colônia brasileira, que necessitavam de inúmeros braços
escravos, como a cultura da cana-de-açúcar.
Houve, todavia, pretos escravizados pelas fazendas e lavouras do
Paraná.
Acesa a campanha abolicionista, os paranaenses a ela se entre
garam. Apareceram, em Paranaguá e Curitiba, clubes abolicionistas,
pregando a libertação da escravaria negra. A imprensa do Paraná
64
se colocou a serviço da campanha, destacando-se o trabalho dos
jornalistas Barros Júnior e Fernando Simas, êste último, ardoroso
batalhador de memoráveis lutas em favor do Paraná e do Brasil.
Os senhores de escravos espontaneamente libertavam os seus, os
negros fugidos encontravam patronos à sua defesa. Tal animação
empolgou a todos, que o dia 13 de maio de 1888 foi saudado, em
terras paranaenses, entre as maiores festas e alegrias.
Pelo pequeno número de escravos que contava, a província do
Paraná não sofreu tanto o profundo baque e desequilíbrio econô
mico trazido pela abolição do trabalho escravo no Brasil, ainda mais
que colonos imigrantes já procuravam as suas terras.
5 Pequena História do Paraná
65
A PROPAGANDA REPUBLICANA NO BRASIL
No decorrer da história do Brasil, muitas vêzes, deparamos o
ideal republicano que, nos últimos tempos do Segundo Império, foi
intensificado pelo desejo de renovação política e descentralização
governamental.
Vários motivos animaram a propaganda republicana no Brasil:
o descontentamento das classes armadas que reclamavam contra a
indiferença do govêmo imperial; a atitude de fraqueza e desmandos
do govêmo na questão religiosa; as lutas políticas entre os dois
grandes partidos da monarquia, o Conservador e o Liberal; outros,
agravados pelo desequilíbrio econômico-financeiro, ocasionado pela
abolição da escravatura negra.
66
Surge novo partido político, o Republicano, cujas fileiras foram
engrossadas pelos antigos senhores de escravos, descontentes da pro
mulgação da Lei Áurea.
O Partido Republicano veio coordenar a propaganda e a ação
republicanas, realizada através da imprensa, clubes e conferências.
O exército era o principal foco dos ideais republicanos. Profes
sores da Escola Militar pregavam abertamente a República.
Acontecimentos políticos a precipitaram e, num golpe militar,
foi a República do Brasil proclamada em 15 de novembro de 1889.
Homens do Paraná, como o Dr. Ubaldino do Amaral Fontoura,
tiveram participação ativa na propaganda da República brasileira.
Pronunciou êle várias palestras e conferências, realizou viagens
e trabalhou na imprensa, conquistando para o Partido Republicano
inúmeros adeptos.
Outros paranaenses também se destacaram na propaganda local
da república: Manuel Correia de Freitas, Mendes Gonçalves, Otávio
do Amaral, Emiliano Perneta e tantos que, com o seu ardor e pa
triotismo, procuraram dias melhores para o Brasil' e o Paraná.
Proclamada a república, os paranaenses a aceitaram, instalando
no Paraná o regime de govêmo republicano federativo.
O GOVÊRNO REPUBLICANO NO PARANÁ
Ao tempo da Proclamação da República, era presidente da pro
víncia do Paraná o Conselheiro Jesuíno Marcondes que, por ordem
do Marechal Deodoro da Fonseca, entregou o govêmo ao General
Francisco Cardoso Júnior, comandante das tropas aquarteladas no
Paraná.
Vários presidentes se sucederam no govêrno provisório do Es
tado, até que, passados os dias instáveis da Proclamação da Repú
blica, foram realizadas as eleições que apresentaram o primeiro
govêrno eleito do Estado, e o Congresso Constituinte que deu ao
Paraná a sua primeira Constituição republicana.
No entanto, êste govêrno não teve duração, uma vez que, apoian
do o golpe do Marechal Deodoro na esfera federal, pouco depois foi
deposto.
67
Instalada uma junta governativa, ela mandou proceder a novas
eleições à Assembléia Legislativa que, então, elaborou a segunda
Constituição republicana do Estado do Paraná.
Foram também eleitos, presidente e vice-presidente do Estado,
os Doutores Xavier da Silva e Vicente Machado.
A REVOLUÇÃO FEDERALISTA
Os primeiros tempos da República brasileira foram agitados por
malquerenças e lutas políticas, que culminaram na renúncia da pre
sidência da nação pelo Marechal Deodoro da Eonseca e no govêrno
do Marechal Floriano Peixoto, seu substituto, com a revolta da
Armada e a “Revolução Federalista”.
No Rio Grande do Sul era fervente a política local; dois par
tidos, castilhistas e federalistas, disputavam o mando.
Irrompe a. revolução quando o govêrno federal de Floriano
resolve intervir a favor de Júlio de Castilhos.
Os federalistas, sofrendo reveses a princípio, recobraram energias
com a revolta da Armada, do Almirante Custódio de Melo, contra
a presença do Marechal Floriano Peixoto na Presidência da Repú
blica, por êle julgada ilegal e anticonstitucional.
O Almirante Custódio de Melo retira a sua frota do Distrito
Federal e se reúne aos federalistas, em Santa Catarina, formando
um govêrno provisório, o govêrno do Destêrro, antigo nome de
Florianópolis.
Planejam e realizam a invasão do Paraná. Gumercindo Saraiva,
comandando as tropas de terra; Custódio de Melo, com seus navios,
vindo por mar, logo se apoderou de Paranaguá.
O Paraná recebeu de Floriano a tarefa de impedir a passagem
das tropas revolucionárias, a fim de que houvesse tempo para o ar
mamento e defesa de São Paulo e da Capital Federal.
O centro das forças legalistas foi concentrado na cidade da Lapa,
sendo o comando delas entregue ao Coronel Antônio Carneiro,
militar de reconhecida coragem e ação.
68
Nos meados de janeiro de 1894 apontaram, na Lapa, os federalistas, a 17 sitiaram a cidade que opôs tenaz resistência, escrevendo
a mais heróica e importante página da história militar do Paraná.
Durante 24 dias estêve cercada a cidade. Esgotaram-se as muni
ções e mantimentos, a população desesperava, tombavam em ação
soldados e comandantes da praça. Ferido, morre o bravo defensor
da cidade e da república, Gomes Carneiro.
Aos onze dias do mês de fevereiro rendeu-se o comando da Lapa.
Perdera-se a campanha, mas o Paraná cumprira a sua missão.
Forças legalistas de São Paulo desbaratam e vencem, por com
pleto, os federalistas. Foge o Almirante Custódio de Melo; morre;
em combate, Gumercindo Saraiva.
69
Destroçadas as tropas revolucionárias, Floriano sufoca a revolta,
consolidando a república.
Ela deixou no Paraná trágicas conseqüências. Danos materiais,
o progresso de uma cidade violentamente paralisado; perdas huma
nas inestimáveis, o episódio dramático dos fuzilamentos, como os
do quilômetro 65, onde, por elementos legalistas, foram imoladas
as vítimas da revolução, entre as quais o Barão do Cêrro Azul.
A Revolução Federalista dividiu a família política paranaense,
pica-paus e maragatos, até que nova onda revolucionária, vinda do
Rio Grande do Sul, lavou paixões e ódios existentes, inaugurando
novos tempos na política do Paraná.
A QUESTÃO E A CAMPANHA DO CONTESTADO
No surgir do século vinte, o Estado de Santa Catarina propôs
ao Supremo Tribunal Federal uma ação contra o Estado do Paraná,
na qual contestava limites, pretendendo territórios que dizia injus
tamente incorporados ao Paraná.
jEra absurdo tal alegado e absoluta a falta de provas legais e
históricas que o justificassem; no entanto, julgada a questão, embo
ra a fragilidade dos argumentos catarinenses, lhes foi dado ganho
de causa.
O Estado do Paraná opôs embargos à decisão que contrariava
direitos seus, até que, por alvitre do govêrno federal, reuniram-se
políticos e administradores dos estados interessados e foi sôbre o
território Contestado, em 1916, realizada partilha amigável, sendo
recuados os limites do Paraná com o Estado de Santa Catarina.
Na região do território contestado pelos catarinenses, ainda
sertão bravio e inculto, fanaticamente se haviam agrupado em tôrno
de um falso monge, que adotara o nome de José Maria, centenas
de caboclos.
Gente sem recursos, flagelada, ignorante que assim bem servia
aos planos de mando do aventureiro que a conduzia, maravilhando,
através de curas e milagres hipotéticos.
Ocorria no Contestado um aspecto regional do fenômeno de
Canudos.
70
O bando reunido, armado, tornou-se inquieto e ameaçador,
agitando povoados e populações vizinhas.
Batido em Santa Catarina, o bando internou-se no Paraná, onde,
nos campos do Irani, José Maria resolveu estabelecer-se.
Contra êles foi enviada uma companhia da Polícia Militar do
Estado do Paraná, sob o comando do valoroso Coronel João Gualberto Gomes de Sá. Ao se lhes aproximar, foi o destacamento ata
cado de surpresa pelos sertanejos armados de fuzis, sabres e espadas.
Morrem em combate o Coronel João Gualberto e o chefe dos
fanáticos, José Maria ou Miguel Lucena.
Ante a gravidade dos acontecimentos, ainda mais que a presença
da polícia militar do Paraná, na região do Contestado, dava mar
gem a dúvidas e intrigas políticas, o govêrno federal tomou a si o
problema dos fanáticos, enviando forças do exército nacional.
Novamente se haviam retirado para Santa Catarina os homens
de José Maria, onde lhes deram combate, por várias vêzes, forças
do exército, encontrando sempre feroz oposição.
Sòmente após vários combates e tentativas foram vencidos e dis
persados os fanáticos. Encerrou-se a Campanha do Contestado, episó
dio triste de nossa história, que teve como causa maior a fome e
a miséria.
PRIMEIROS GOVERNOS REPUBLICANOS
Passada a tormenta da Revolução Federalista, consolidada a
república brasileira, pela ação enérgica do Marechal de Ferro,
puderam os estados duramente atingidos, restaurados os governos
legais, retomar o ritmo político-administrativo que manteriam até
a revolução de 1930.
No Paraná, voltaram ao govêrno os Doutores Vicente Machado
e Xavier da Silva. Êste, por três vêzes, ocupou a Presidência do
Estado, destacando-se como administrador a quem o Paraná muito
deve. Preocupou-se com as finanças, procurando sempre deixá-las
equilibradas.
O Dr. Vicente Machado, homem público prestigioso já nos
últimos tempos do Império que, ao ingressar no Partido Republi
71
cano, foi uma das garantias da realização da república no Paraná,
era, ao findar do século e alvorecer de outro, a figura dominante
no cenário político paranaense.
Como ninguém, exerceu o predomínio político regional. Senhor
absoluto, manobrou a política paranaense até a sua morte, proje
tando-se na vida nacional como senador da república.
CORRENTES IMIGRATÓRIAS NO PARANÁ
O Paraná, pelas suas condições geográficas e possibilidades eco
nômicas, tem sido uma terra de imigração.
Milhares de pessoas, vindas de fora, têm procurado nas terras
paranaenses realizar a sua vida e desenvolver as* suas atividades
produtivas, notadamente a agricultura, segundo dispositivo e impe
rativo da orientação imigratória nacional.
Desde 1829, até a emancipação da província, em 1853, foi pe
queno o número de imigrantes que entraram no Paraná, alguns
alemães, franceses e suíços.
Depois, quando já se impunha positiva a abolição da escravatura
negra e a atenção do govêrno imperial se voltou à política imigra
tória, a fim de atender as necessidades do trabalho agrícola, base
econômica do Brasil, o Paraná empreendeu grandemente a entrada
e fixação de imigrantes.
O Estado organizou efetiva colonização de muitas áreas do seu
território. Italianos, alemães, eslavos foram situados em colônias es
tabelecidas pelos municípios do Paraná, como as de Santa Felicida
de, Cândido de Abreu, Mariental e outras.
Terminada a Primeira Grande Guerra Mundial, reiniciaram as
correntes imigratórias em direção ao Paraná, e hoje é, também, estimável a imigração asiática, colonos japoneses que procuram as
terras férteis do Norte do Paraná.
De maneira extraordinária têm contribuído os imigrantes do
Paraná, não só ao nosso progresso econômico, como à nossa forma
ção, mesclando tipos, introduzindo usos e costumes e definitivamente
se incorporando à vida brasileira.
72
POLÍTICA DOMINANTE ÀS VÉSPERAS DE 1930
Outro homem houve no Paraná que, ditando as normas da
política interna, exerceu inteiro predomínio na vida político-administrativa do Estado, nos anos que antecederam a revolução de mil
novecentos e trinta.
Chefe local, detentor do mando político, foi o Dr. Afonso Alves
de Camargo, por dois períodos, eleito Presidente do Estado, não
conseguindo todavia, do segundo, terminar o seu mahdato, uma vez
que foi deposto pela revolução.
Pertencente à agremiação partidária de Afonso Alves de Camar
go, o Dr. Caetano Munhoz da Rocha ocupou a Presidência do Es
tado em dois períodos consecutivos, realizando um dos melhores e
mais sadios governos do Paraná.
Empenhou-se nò aparelhamento do pôrto de Paranaguá, abriu
estradas, iniciou a colonização e desbravamento do Norte do Paraná,
construiu escolas e hospitais, binômio inseparável e indispensável à
formação e .bem-estar popular e conseqüente desenvolvimento do
Estado.
í)o seu trabalho profícuo bastam dois exemplos, o Palácio da
Instrução e o Sanatório de São Sebastião.
Com os governos de Caetano Munhoz da Rocha e Afonso Alves
de Camargo, o Paraná encerrou a sua história na primeira repúbli
ca, lançados os fundamentos da sua realização.
73
LEITURA
A RUA QUINZE
A Rua das Flores... Descalça, e com um xale escocês sôbre os
ombros trigueiros... Três sobrados sem estética: o da Presidência, o
da “Casa do Sol” e o do Zé Nabo. Em frente dêste, rematada por
forte argolão de ferro, uma grossa estaca, falquejada em quatro
faces. Nela eram amarrados os animais, enquanto os donos, tomando
chimarrão, faziam completo sortimento de “secos e molhados” e fa
zendas, que tinham crédito na razão da importância da ordem do
“engenheiro” a quem haviam vendido a erva-mate.
Casas baixas, achatadas, umas; outras, agarradas a barrancos, a
cavaleiro da rua. E se chovia — lama; e pó — se fazia sol. E no pó
do mistério se envolve tôda uma geração, que se deliciava, às quin
tas e domingos, com os concertos ao ar livre, em frente do palácio,
executados pela banda da polícia da província, e nas outras noites,
com os dos sapos, precursores do jazz-band... Um dia, os ocupantes
do trono imperial lembraram-se de nos visitar, e, depois dessa honra,
acrescida com a famosa frase de Pedro 2.°: “O Paraná marcha na
vanguarda da civilização”, a rua, mais coquete, lançou as flores fora,
e resolveu mudar de apelido. De então em diante se condecorou
com o nome da Imperatriz. Era ainda, porém, uma rua provinciana,
que ficava intrigada com qualquer cara nova que aparecia, e que
em tôrno dessa cara nova amontoava, dias seguidos, indagações in
sistentes e tecia um mundo de comentários. Era quase a rua dò —
lá vem um. Mesmo com seus ares de moça regularmente educada,
era desconfiada e tímida. Ainda com hábitos primitivos, mas já
falsificando, com os corações e os grandes tubos da "Emprêsa Sani
tária”, os mais finos perfumes. E falsificando de que forma, Virgem
Maria! Cortavam-na já os trilhos da Emprêsa de Bondes, e, então,
como em todo o Brasil, a tração animal. Adomava-se já de alguns
bons edifícios, como o do Clube Curitibano. Na esquina do Zé
Nabo — o respeitável e honrado comerciante José Fernandes Lou
reiro — havia o grupo do “chimarrão”. Quase todos do bando,
usavam chinelos sem meia e pala enfiada no pescoço. A esquina do
74
Capitão Sizenando de Sá Ribas — o Nhô Siza — era famosa... Nela,
diàriamente, era’ editada uma revista crítica de costumes. Mas,
assim mesmo a sinhá dona foi embelezando aos poucos. Adornava
com uma camélia branca os cabelos negros, e dava bailes de grande
tom. No que veio o 15 de Novembro, ela se alvoroçou tôda, man
dou ao diabo o notne imperial, crismou-se com o da data máxima
de nossa história política. Até as ruas conhecem a bruta vantagem
da adesão...
Ao partir, deixei-a num flêrte escandaloso, divinamente escan
daloso, com o elegante senhor Progresso. Agora, de regresso, vejo
que se entenderam perfeitamente, tão bem, que um milagre se
operou: o da transformação da plebéia da monarquia em fidalga
da república. Ela aí está, cheia de encantos, maravilhosamente bela,
com os seus edifícios suntuosos, o seu intenso movimento de auto
móveis e de gente — rua autêntica de cidade grande e de grande
cidade.
— Que Deus a não desampare.
Leôncio Correia
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SUGESTÕES PARA QUESTIONÁRIO
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8
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11
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— Quando foi criada a comarca de Paranaguá?
— Teve ela grande progresso?
— Desejou a câmara municipal de Paranaguá separar-se da capitania de
São Paulo?
— A falta de autonomia da comarca prejudicava o seu progresso?
— Quem tentou a emancipação da comarca em 1821?
— Alcançou êxito essa tentativa?
— Quais as personagens que mais se destacaram na campanha autonomista?
— Quais os motivos de ordem nacional que possibilitaram a emancipa
ção?
— Quem apresentou o projeto de lei concedendo autonomia ao Paraná?
— Quando o Paraná conseguiu a sua autonomia e quando foi instalada
a província?
— Qual o seu primeiro presidente?
— Teve élé excelente ação politico-administrativa?
— Qual a primeira lei da Assembléia Legislativa Provincial?
B
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16
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20
21
22
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24
25
26
76
— Continuando as bandeiras e as expedições militares houve, no século
dezenove, outro movimento de posse e ocupação da terra?
— Como o proprietário privado aproveitou econômicamente a terra?
— 0 Paraná participou das questões internacionais do império?
— 0 que sabe sôbre o incidente “Cormorant"?
— A lei Eusébio de Queirós foi conseqüência do caso Cormorant?
— Por que os portugueses escravizaram o índio e o negro?
— Qual a lei que concedeu geral abolição da escravatura?
— 0 Paraná recebeu grande número de negros escravos?
— Os paranaenses aderiram à campanha da abolição?
— Cite jornalistas do Paraná que trabalharam na campanha abolicio
nista.
— Por que os brasileiros desejavam a República?
— Qual o partido que desenvolveu a campanha republicana?
— Os militares foram, no Brasil, simpatizantes da república?
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28
29
30
— Quem foi Ubaldino do Amaral Fontoura?
— Na época do proclamação da república, qual o presidente da pro
víncia do Paraná?
— 0 primeiro governo eleito do Paraná teve longa duração?
— Qual o segundo presidente eleito do Paraná? E o vice-presidente?
D
— Onde irrompeu a Revolução Federalista?
— Por que se revoltou Custódio de Melo?
— Qual a tarefa que Floriano deu ao Paraná?
— Onde foi concentrada a resistência legalista?
— Quem foi Antônio Gomes Carneiro?
— A cidade da Lapa opôs resistência aos federalistas?
— Quando capitulou a cidade da Lapa?
— Quais as conseqüências, no Paraná, da Revolução Federalista?
— 0 que sabe sôbre as questões de fronteiras entre o Paraná e Santa
Catarina?
40
— Como teve origem a Campanha do Contestado?
41—0 exército nacional participou da Campanha do Contestado?
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39
E
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50
— 0 Paraná é terra de imigração?
— Antes de sua emancipação, o Paraná recebeu grande número de imi
grantes?
— Por que houve necessidade, no Brasil, da introdução de imigrantes?
— Quais os colonos europeus que procuram, de preferência, o Paraná?
— Têm vindo ao Paraná imigrantes de origem asiática?
— Os imigrantes têm contribuído à nossa formação?
— 0 que sabe sôbre os governos do Dr. Xavier da Silva?
— Quais os homens do Paraná que, na primeira república, se destaca
ram como chefes políticos?
— Cite realizações do govêmo do Dr. Caetano Munhoz da Rocha.
77
V
REALIZAÇÃO DO PARANÁ
A REVOLUÇÃO DE 1930 E O PARANÁ
A primeira república brasileira se caracterizara pelo ardor dos
embates e paixões políticas, perturbando as realizações governamen
tais e a marcha ascendente do progresso.
Muitas foram as queixas acumuladas contra o regime políticoadministrativo dominado pelo chefe, local ou nacional.
Uma delas era que o eixo da vida política no Brasil girava em
tôrno dos “mangueirões”, onde, com prepotência, os “coronéis”
exerciam o mando político.
O voto não era secreto, perseguições políticas eram freqüentes
e, na mor parte das vêzes, fraudulentas as eleições, quando os pró
prios mortos chegavam a votar.
Senhor da situação, sempre ganhava o govêrno, oprimindo as
liberdades individuais.
Assim foram as últimas eleições de 1930. Mas já havia desper
tado a consciência nacional e, ao lado do candidato vencido à
presidência da república, o Dr. Getúlio Vargas, formara-se a Aliança
Liberal, reunindo as fôrças democráticas do Brasil, que soltaram o
brado de reforma e renovação.
Renovação das classes dirigentes, o povo delas participando, e
reforma dos rumos político-administrativos, dando-lhes um aspecto
social-dinâmico.
Nas linhas gerais, a situação do Paraná era a mesma da república.
Havia descontentamentos contra a orientação política dominante de
Afonso Alves de Camargo.
79
A três de outubro de mil novecentos e trinta, no Rio Grande
do Sul, Minas Gerais e Paraíba, irrompeu a maior das revoluções
brasileiras, pelas suas causas e conseqüências.
Vitoriosas, as tropas do Rio Grande do Sul chegaram ao Paraná,
onde também vencera a revolução, conduzida pelos bravos militares
Coronel Plínio Tourinho e General Mário Tourinho.
Recusando-se a deixar o govêmo da nação, foi o Presidente
Washington Luís deposto na Capital Federal por altas patentes do
exército brasileiro.
Triunfantes, os revolucionários chegaram ao Rio de Janeiro,
ocupando o govêrno provisório da república, o Dr. Getúlio Vargas.
Com a vitória da revolução cai, no Paraná, o Dr. Afonso Alves
de Camargo, que se retira da vida pública.
Pelo Presidente da República é nomeado Interventor Federal no
Estado do Paraná o general revolucionário Mário Tourinho, subs
tituído depois por Manuel Ribas, homem da inteira confiança de
Getúlio Vargas.
Renovaram-se os quadros políticos dirigentes do Paraná e o
Estado entrou em fase de franco progresso e desenvolvimento
econômico.
O PARANÁ NO ESTADO NOVO
Em novembro de 1937 deu-se completa e radical transformação
na política interna do Brasil, quando, com o apoio das forças ar
madas, o Presidente Getúlio Vargas, pouco antes do término de
seu mandato presidencial, por ocasião da propaganda das próximas
eleições, em bem vibrado golpe de Estado, outorgou nova Consti
tuição, instalando no Brasil um Estado autoritário e passando a
exercer um govêrno forte.
Continuou na interventoria federal do Paraná Manuel Ribas,
que se distinguiu no govêrno do Estado, pelas suas altas qua
lidades de administrador.
O seu govêrno foi de trabalho contínuo, de acordo com os interêsses do Paraná, que ingressava em sua mais promissora fase
econômica.
80
De sua ação administrativa ressalta a orientação que deu às ati
vidades paranaenses de rumo ao campo. Procurou valorizar a terra,
os seus frutos e o trabalho do homem rural.
Também conduziu ao campo as obras assistenciais do Estado,
como a Penitenciária Agrícola, as escolas de trabalhadores rurais, e
os abrigos de menores, visando à recuperação do homem e da terra.
Não d escurou da circulação das riquezas paranaenses, abrindo
estradas e conservando-as.
Manuel Ribas realizou no govêrno do Estado do Paraná uma
boa administração, como todos o reconhecem e louvam.
Foi no tempo do Estado Novo que o Paraná sofreu o rude golpe
da desanexação do Iguaçu, criado território federal sem relevantes
motivos, com o que nunca se conformaram os paranaenses, lutando
pela sua volta ao Paraná.
A REDEMOCRATIZAÇÃO DO PAÍS
No correr dos anos, mais se acentuou o caráter autoritário do
Estado Novo; a sua própria Constituição deixara de ser obedecida.
Os brasileiros ansiavam por liberdade política e desafogo, quan
do, premido por grande movimento da opinião pública nacional, o
Presidente Getúlio Vargas acedeu em convocar eleições.
Houve quem, desconfiasse das atitudes do chefe da nação, que
estivesse êle desejoso .em continuar no govêrno e assim foi, pelas
forças armadas, deposto em a noite de 29 de outubro de 1945, depois
de quinze anos de govêrno em que os desmandos políticos foram,
no .entanto, compensados pela maior obra administrativa já reali
zada no Brasil.
O movimento é nacional, não encontra resistências.
No Paraná, o Interventor Manuel Ribas, deixando o govêrno
do Estado, entrega-o ao Desembargador Clotário de Macedo
Portugal.
Reúne-se a Assembléia Nacional Constituinte a fim de elaborar
a Constituição democrática de 1946.
É o instante em que, liderados pelo Deputado Federal Bento
Munhoz da Rocha Neto e pelo Governador provisório do Estado
Brasil Pinheiro Machado, se levantam os paranaenses, exigindo a
81
volta do Território do Iguaçu, o que conseguem, após árdua batalha
parlamentar.
Democraticamente, efetuadas as eleições, no Paraná venceu o
candidato do Partido Social Democrático à Presidência do Estado,
Moisés Lupion. Partido êsse que congregava antigos elementos
govemistas do Estado Novo.
A Assembléia Legislativa eleita apresentou, em 18 de julho de
1948, a Constituição Estadual.
O govêmo de Moisés Lupion tratou, de modo especial, da
abertura e conservação das estradas, necessárias ao escoamento da
produção agrícola, mormente do Norte do Paraná.
No seu período governamental foram concluídas as obras do
Colégio Estadual do Paraná, o maior estabelecimento de ensino
secundário do Brasil. Instalaram-se no interior do Paraná inúmeros
ginásios e escolas normais. O plano hidrelétrico do govêrno de
Moisés Lupion merece grandes louvores.
Em vibrante demonstração pública foi eleito, ao segundo período
constitucional -do govêrno do Paraná, o Professor Bento Munhoz
da Rocha Neto, apresentado por uma coligação de partidos.
Professor da Universidade do Paraná, sociólogo eminente, o
Doutor Bento Munhoz da Rocha Neto, o governador do Centená
rio do Paraná, é viva .expressão do novo pensamento político-admi. nistrativo nacional.
VIDA ECONÔMICA DO PARANÁ
O Paraná, regionalmente, seguiu os passos do Brasil na orien
tação da sua economia histórica.
Aqui se repetiu o fenômeno dos ciclos econômicos, com aspectos
locais. O produto-chave dominando a política e a vida social, dando
um toque característico, especial a cada época.
Primeiro foi o ciclo do ouro da lavagem no litoral paranaense.
Tempo instável, de aventura, mobilidade da população nas lidas da
procura e comércio do ouro. Atraiu intenso povoamento de mineradores e faiscadores do ouro e agentes do fisco português, como
o foi, em Paranaguá, Ébano Pereira.
Depois, no planalto, já fixando a população à terra pela neces
sidade de cuidados aos rebanhos, surgindo a fazenda de criar, centro
82
da vida social, e, ao mesmo tempo, abrindo novos caminhos na
passagem das tropas e semeando o povoamento ao longo das estra
das, o ciclo da criação e comércio do gado marcou a história política,
social e econômica do Sul brasileiro.
O ciclo da erva-mate, típico nas terras do Paraná, com os seus
carijos e engenhos, embora breve na sua culminância, teve acen
tuada influência na gente do Paraná. Atividade própria do interior
paranaense, morreu, no entanto, o ciclo da erva-mate, sufocado pela
indiferença governamental.
Quando o homem se tornou senhor das matas e florestas de
araucárias, praticando a maior economia destrutiva de nossa histó
ria, o Paraná atravessou o ciclo da madeira.
A exploração da madeira fêz surgir, ao lado das serrarias, novas
cidades, onde pontificavam os madeireiros. Com o baque dêsse ar
tigo no mercado internacional, "hoje, muitas estão decadentes e
pequenos povoados do Sul paranaense que, em outros dias do auge
da madeira, tiveram vida animada e promissora, estão mortos e
abandonados.
O ciclo dos negócios de terras também estêve presente na eco
nomia do Paraná. Houve um momento em que o comércio da terra
foi a atividade predominante e a preocupação dos paranaenses,
característico ainda porque foi o preparador da ascensão econômica
de nossa terra, pela divisão e distribuição das suas glebas.
A RIQUEZA ECONÔMICA DO MOMENTO
Vivemos no Paraná o ciclo do café, a civilização e a cultura
do café.
Desde o segundo império é o Brasil o maior produtor mundial
de café, mas só agora o Paraná recebeu, pela recente introdução do
plantio, o influxo da sua cultura dominadora.
É o produto que fornece maiores divisas cambiais ao Brasil, pos
sibilitando a importação e, assim, colocando o Paraná em posição de
destaque dentro da vida econômica nacional.
O café realiza o crescente progresso do Paraná, fazendo a riqueza
particular e pública. É o dinheiro do café que faz movimentar as
grandes realizações presentes.
88
Esta é uma fase econômica de apogeu que o Paraná e os pa
ranaenses atravessam, dando um significado especial aos nossos dias
e imprimindo em nossa vida as suas feições e consequências.
MONOCULTURA E POLICULTURA
Temos falado apenas em ciclos econômicos e produtos do
minantes.
Como que paira também sôbre o Paraná o grave êrro e grande
perigo da monocultura e atividades que concentram em um só produto-chave as atenções gerais e, quando vem a inevitável queda, a
todos arrasta, Estado e particulares, à decadência econômica.
84
Mas o Paraná, assentando, como o deve sempre fazer, o seu re
gime econômico na agricultura e seguindo o rumo da policultura,
encontrará definitivamente o seu caminho de riqueza e progresso.
Nos últimos anos, a produção agrícola do Paraná tem aumentado
de maneira considerável, contribuindo para a realização econômica
da terra paranaense.
Temos produzido, não só o café, mas o milho, feijão, batata,
cereais, necessários à alimentação popular brasileira e paranaense e,
ainda, à exportação.
O aproveitamento econômico da terra, através da cultura de
produtos fundamentais, deve constituir a preocupação dos homens
do Paraná.
O DESBRAVAMENTO DO NORTE DO PARANÁ
No começo do século, remotamente se cogitava da exploração e •
aproveitamento econômico da imensa e fértil região do Norte do
Paraná.
■a
Ela estava como que abandonada e esquecida pela nossa gente.
Foi revelada ao Paraná quando chegou a cultura do café e a
cada safra cresceu o Norte do Estado. Primeiro, ao Norte Velho,
chegaram mineiros e surgiram cidades, Jacarèzinho, Ribeirão Claro,
Santo Antônio da Platina. Depois vieram os homens da Companhia
de Terras Colonizadora do Norte do Paraná que, em acordo com
o govêrno de Caetano Munhoz da Rocha, realizaram o desbravamento do verdadeiro sertão, levando consigo o povoamento efetivo.
O sertão- foi recuando e apareceram novas plantações, fazendas
e vilas. Vilas que depressa cresciam e eram cidades. Cidades de in
tenso movimento, logo por outras suplantadas.
É o desenvolver vertiginoso do chamado Norte Novo.
Londrina foi, e é, centro irradiador do progresso do Norte do
Paraná, rodeada de cidades que viu surgir, de cafèzais que se es
praiam ao longe.
Arapongas, o maior centro cerealista da América do Sul, Apucarana, Maringá e continuando a seguir, outras cidades novas, o café,
a civilização paranaense, até as barrancas do grande rio Paraná.
85
A sua produção em ascendência, o dinheiro circulando ligeiro
correu pelo Paraná todo, revitalizando as forças econômicas do
Estado que refletem o esplêndido fenômeno das terras do Norte
paranaense.
MIGRAÇÕES INTERNAS NO PARANÁ
Sofre o Paraná, nos dias que correm, em conseqüência do pro
gresso econômico que atravessa, o influxo de dois movimentos
migratórios que se processam internamente, na procura das terras
de onde jorra o ouro dos cafèzais.
Um, que penetra pelo Norte do Estado, constituído de minei
ros, como de nordestinos que fogem à aridez de sua terra.
86
Outro, que entrando pelo Sul se dirige também às terras do
Norte, trazendo gaúchos da campanha rio-grandense.
Hoje, todos vêm ao Paraná, atraídos pela fase próspera, queren
do participar das suas oportunidades.
Aumentou a população do Paraná, integrada de novos elemen
tos que, aos poucos, se adaptam e diluem na sociedade paranaense.
CURITIBA, CIDADE GRANDE
Curitiba, cidade provinciana do findar do século dezenove,
decorridos cinqüenta anos que viram o transmudar da vida econô
mica paranaense, transformou-se em agitada e moderna cidade
grande.
Ruas que apresentam aspecto novo, cosmopolita, edifícios que
apontam para o alto surgem a cada instante, avenidas que se abrem,
a cidade que se espalha, pontilhada de chaminés fumegantes.
São as indústrias que têm procurado Curitiba. É o início do
surto da industrialização no Paraná que tem enormes possibilidades,
desde que resolvido o problema da energia elétrica.
O pequeno centro de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de
Curitiba, terra de muito pinhão, é hoje a moderna Capital, que
vive a realização do Paraná, no seu impetuoso progresso.
AS GRANDES REALIZAÇÕES PRESENTES
Acompanhando o intenso desenvolver do Estado, o govêrno de
Bento Munhoz da Rocha Neto programou vasto plano de obras
que, terminadas, constituirão o que de maior já se fêz no Paraná,
no setor da administração pública.
Teve êle por objetivo mostrar ao Brasil e aos brasileiros, quando
das comemorações do centenário, em 1953, o que o Paraná conseguiu
realizar, após um século de autonomia, na iniciativa particular e
governamental.
O interior do Estado está sendo beneficiado com a vasta rêde
de estradas, alguns longos trechos asfaltados, como o que liga Lon
drina a Apucarana. Dando escoamento à produção, preocupa-se o
govêrno em não quebrar o ritmo do progresso paranaense.
87
Escolas primárias, fundamentais à formação das populações campesinas, são fundadas e reaparelhadas. O preparo técnico e cientí
fico do professorado é cuidado pela Secretaria de Educação e Cultura
do Estado do Paraná.
Postos de higiene e puericultura são instalados em todos os
municípios do Estado.
O pôrto de Paranaguá, importante pela exportação de café, está
sendo reaparelhado.
Não tem faltado amparo à produção agrícola e ao trabalhador
rural, base da economia paranaense.
Obras tôdas coroadas por aquelas que se realizam na Capital do
Estado, velhas aspirações do govêrno e do povo do Paraná, como
88
a Biblioteca Pública, cuja falta não se compreendia em uma cidade
universitária. Assim também o Teatro Estadual, onde se desenvol
verá a cultura artística, as escolas, grupos escolares moderníssimos,
como o Grupo Escolar Tiradentes, fruto arrojado da moderna ar
quitetura funcional.
Finalmente, devemos citar o Centro Cívico, onde serão concen
trados os órgãos da administração pública. Conjunto arquitetônico
que impressiona, será constituído pelo Palácio do Govêmo, Palácio
das Secretarias, o maior edifício do mundo em concreto armado,
Recebedoria e Pagadoria Central do Estado, Protocolo Geral, demais
construções auxiliares e, ainda, o Palácio da Justiça que compreen
derá os serviços do Tribunal de Justiça do Estado e órgãos da
Justiça da Capital.
DESENVOLVIMENTO CULTURAL DO PARANÁ
O Paraná cresceu não só no sentido material, mas também es
piritual.
Cem anos de vida político-administrativa autônoma que equiva
lem a um século de conquistas culturais do povo do Paraná.
Em tôdas as manifestações brasileiras, nas artes, nas letras e nas
ciências, está presente o paranaense, elevando bem alto o renome
de sua terra e honrando a sua gente.
Silenciosa, mas continuadamente se processa a formação educa
cional da infância e juventude do Paraná.
Curitiba, Cidade-Sorriso, é centro universitário, sede da mais
antiga Universidade do Brasil que vive, hoje, plenamente, a sua
missão social e humana. A Universidade do Paraná, procurada por
estudantes de todos os recantos do Brasil pela excelência do ensino
ali ministrado, é o orgulho e cuidado dos paranaenses.
Muitos são os homens do Paraná que se destacam pela sua
projeção no desenvolvimento cultural do Estado; enumerá-los seria
longo, basta-nos a lembrança de Rocha Pombo, Nestor Vítor, Fran
cisco Negrão, Emiliano Perneta, Emílio de Meneses, Chisimaco da
Costa, Ermelino de Leão, Brasílio Itiberê da Cunha, Hugo Simas
e Romário Martins.
Pequena História do Paraná
89
RUMOS DO PARANÁ
O Paraná é uma terra nova, de gente nova que, nos dias do
centenário, vê a realização do seu vigor econômico e a sua afirmação
social-cultural,. dentro da federação brasileira.
É o presente grandioso construído, tenaz e valentemente, pelos
homens que compreenderam a terra e a ela se entregaram sem
condições e esmorecimentos.
Chegados a êste ponto, é o instante de os paranaenses tomarem
rumos, firmando as conquistas já realizadas e abrindo novos cami
nhos, pelo trabalho consciente e dirigido de governantes e gover
nados, ou entregando-se à inércia, à indiferença, ao gôzo do apogeu
presente, perder o momento histórico decisivo que vivemos.
É a encruzilhada que temos por diante, de onde sairá o Paraná
gigante do futuro, ou a terra que foi prometida, mas que os homens
não souberam alcançarl
LEITURA
SETEMBRO
Eu ontem vi chegar, quase qué à noitezinha,
Apressada e sutil, a primeira andorinha...
É a primavera, pois, em flor, que se anuncia,
É setembro que vem, bêbado de ambrosia,
Mãos doiradas, a rir, mãos leves e radiosas,
Semeando à luz e ao vento as papoulas e as rosas...
Como foi para nós de um esquisito gôzo,
Ó minha alma! êsse doce, êsse breve repouso,
Que entre o nosso viver tumultuário e incerto
Surgiu como se fôsse oásis do deserto...
90
Tôda linda manhã era nova beleza;
E causava-me sempre uma grande surprêsa.
Envolta no sendal de névoa, que flutua,
Vê-la, quando ficava inteiramente nua...
E que estranha delícia, e que ventura aquela,
Quando, bem cedo, o sol saltando-me à janela
Vinha cobrir cfe luz sonora, como um hino
De gorjeios de luz, meu quarto pequenino...
Voavamos, depois, por aquêles caminhos...
Voávamos, Senhor, eu e os passarinhos.
Tudo era alegre como um ramo de giesta,
O campo, o céu, a luz, a múrmura floresta.
Tudo era uma canção; tudo reverdecia:
A fôlha, a vinha, a seara, a graça, a fantasia.
Nas árvores, no ar, por tôda a imensa altura,
Ó que ruído! ó que delírio! ó que loucura!
E que bom de fugir sem saber como, a êsmo,
Por êsse campo em flor, a sós, comigo mesmo.
Para quem anda a sós, como se fôsse um duende,
É o ar ,da solidão bálsamo, que rescende.
Que lindo céu azul! e que dias suaves!
Em breve eu aprendi a linguagem das aves.
Falei aos animais, e claramente posso
Dizer que o olhar dos bois é melhor do que o nosso
E mesmo acrescentar, com firmeza, e com calma,
Que se nós temos alma, êles também têm alma! '
Mata que percorrí, como fazem os gamos,
Tôda coberta de folhagens e de ramos.
Como é grato viver dentro dêsse teu seiol
Que frescura! que olorl que límpido gorjeioI
E que bom de fruir com sôfregos desejos
O rústico sabor acre dêsses teus beijos!
Vestido de aldeão, com o meu chapéu de palha,
Eu vi quanto era bom um homem que trabalha.
Deslizando através dêsses caminhos todos,
Eu pude ver também como os homens são doudos.
E no meio banal dessa rusticidade,
Quanto o campo é melhor, mil vêzes, que a cidade.
E tudo mais sincero, e mais perfeito, tudo:
As tardes de setembro, as tardes de veludo.
Os longos funerais, e o magnífico entêrro
Do sol, quando descamba atrás daquele cêrro...
Bendita seja a paz! Maldita seja a guerra!
Bendito sejas tu, ó lavrador da terra.
Que, desde o alvorecer da luz, até o sol pôsto,
Amassas o teu pão, com o suor do teu rosto!
Minha imaginação era um anseio vago,
Fugindo para além do espelho azul do lago,
Do campo, da floresta e do vale risonho,
Indo perder-se, enfim, no oceano do sonho...
Sonhei. Pude sonhar. Não há nada no mundo
Que seja para mim de um gôzo mais profundo.
92
Pude sonhar ao pé dos altos eucaliptos
Os sonhos que mais amo, os sonhos infinitos.
Como achei tudo bom! Como achei tudo belo!
Como me senti bem dentro dêsse castelo,
Onde pude viver, por uns dias, ao menos,
Do modo por que vós vivestes, ó Silenos,
Ó Faunos e Egipãs, entre o silêncio de ouro
De bosques de açucena, e rosa, e mirto, e louro,
E como êsse deus Pa, de eterna juventude,
Descuidado a soprar agreste flauta rude,
Longe de todo mal, livre completamente,
Tão livre como tu, água pura e corrente,
Tão simples como aquela ave triste e obscura,
Cujo canto real tem tamanha ternura,
Que, no meu coração, é o poeta que eu mais quero,
Por ser singelo e nu, por ser claro e sincero!
Emiliano Perneta
93
VISITA A UMA FAZENDA DE CAFÉ
“Nós três estávamos decididos a visitar uma fazenda de café,
naquela excursão pelo Norte do Paraná. Mas não conhecíamos ne
nhum dono de fazenda e éramos também ilustres desconhecidos.
Chegamos à porta de um dos muitos “cafés” de Londrina e indaga
mos qual a grande fazenda, digna de ser vista e onde pudéssemos
encontrar amável acolhida.
O rapazote não teve dúvidas, respondeu: — “A do Raimundinho”. Raimundo Durães, pioneiro de Londrina, senhor do café, a
quem o povo, pela sua atraente simpatia, batizara simplesmente “o
Raimundinho”.
Tomamos um carro que, por duzentos cruzeiros, nos levaria em
uma hora de viagem de poeira e cafèzais.
Lá estava êle à porta. Descemos e, como naquelas paragens não
se perde tempo, fomos pedindo licença para visitar os cafèzais e
instalações da fazenda.
Conduzidos pelo Raimundinho, logo o tratávamos assim, vimos
a casa do senhor de fazenda, grande, ampla, conforto moderno em
estilo rústico. O puro café servido foi extraordinário. Depois os
cafèzais, verdes, verdes, descendo e subindo colinas. Milhares de pés
de café e uma vontade danada em ver o Brasil todo assim plantado,
Terra da Promissão...
Os terreiros de secagem e classificação do café, as máquinas de
beneficiamento, ensacagem e outros serviços.
Abaixo do jardim de café, a vila dos trabalhadores da fazenda,
cem famílias, mais ou menos quinhentas pessoas. Luz, água, tele
fone, médico, farmácia, escola, professora, bar, cinema, tudo man
tido pela administração da fazenda.
E o Raimundinho conversava. Falava dos problemas agrícolas
que enfrentava, da fuga do homem para a cidade, na melhoria das
obras de assistência ao trabalhador do campo e, toque agudo! na
EDUCAÇÃO RURAL.
Foi aí, de súbito, que eu compreendí o porquê do progresso do
Norte do Paraná, sentindo a sinceridade daquele homem que aju
dara a construir Londrina, vendo o amor dos seus olhos espraiando
94
pelos cafèzais e acariciando a terra, era a mesma continuidade dos
bandeirantes que conquistaram o Paraná, modificadas as condições
de meio e época, realizando agora, atraídos e subjugados pela terra,
a sua grandeza sócio-econômica.”
SUGESTÕES PARA QUESTIONÁRIO
A
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
— Havia queixas contra o regime político da primeira república?
— Por que irrompeu a revolução de 1930?
— 0 Paraná aderiu a ela?
— Quais os chefes paranaenses da revolução?
— Vitoriosa esta quem ocupou a presidência da república?
— Quem assumiu o governo do Paraná?
— Qual o regime instalado no Brasil, em 1937, pelo Dr. Getúlio Vargas?
— 0 que sabe sôbre a administração de Manuel Ribas?
— Qual a orientação dada por êle às atividades paranaenses?
— Quando o Paraná perdeu o Território do Iguaçu?
11
12
13
14
15
— Quando se deu a redemocratização do Brasil?
— Quem comandou, no Paraná, a campanha pela volta do Iguaçu?
— Em que setor mais se destacou o governo de Moisés Lupion?
— Quem foi eleito ao segundo período constitucional do Paraná?
— Qual o programa de obras do governo de Bento Munhoz da Rocha
Neto?
16
17
18
19
23
— Quais os ciclos econômicos atravessados pelo Paraná?
— Qual a importância do café nos dias presentes?
— 0 que é monocultura e policultura?
— 0 Paraná, além do café, apresenta outras produções agrícolas de
importância?
— Quando se deu o desbravamento do Norte do Paraná?
— Quais as suas grandes cidades?
— As terras do Paraná têm sido procuradas por brasileiros vindos de
outros estados?
— Quais as transformações por que passou Curitiba?
24
25
26
27
— Qual a instituição cultural que é o orgulho dos paranaenses?
— Cite vultos eminentes da cultura paranaense.
— Por que dizemos que o Paraná está vivendo a sua realização?
— Qual a encruzilhada em que se encontram os homens do Paraná?
B
C
20
21
22
D
95
SUGESTÕES PARA UMA PROVA OBJETIVA DE
MEDIDA DO CONHECIMENTO
Nome do candidato:
Data:
Grau:
Aplicador:
Revisor:
HISTÓRIA
COMPLETE as sentenças abaixo:
1
— Os grandes descobrimentos se deram no final da
e assinalaram o inicio dos tempos
2
— Os grandes descobrimentos foram realizados, principalmente, pelos
e
habitantes da Península Ibérica
3
— 0 tipo de embarcação utilizado nos grandes descobrimentos foi o
da
4
— 0 cravo, a canela, a sêda e outros, eram as chamadas “
”, necessárias ao consumo dos europeus.
5
— Cite causas dos grandes descobrimentos:
a — Situação geográfica.
d -
6
— Bartolomeu Dias, dobrando o
rota à viagem de
às índias.
7
abriu a
— Cristóvão Colombo, a serviço da Espanha, seguindo o rumo do
, pensou haver chegado às índias, mas desco
briu a
8 — No ano de 1494, foi celebrado entre
nha o Tratado de
9 — A expedição de
do ano de 1500, chegou ao
................................. e Espa
em 21 de abril
10
— As primeiras notícias sôbre o descobrimento do Brasil foram dadas
ao rei de
, pelo escrivão
96
11
— Cite os grandes grupos de indígenas que habitavam o Brasil:
ASSINALE com um (x) entre os parênteses em branco:
12
— Os indígenas do Brasil conheciam o uso do:
— cimento ( )
— ferro
( )
- fogo
( )
— pólvora ( )
— estanho ( )
13
— Os indígenas do Brasil viviam em:
— casas de pedra ( )
— ocas de barro e ramagens ( )
— barracas de lona ( )
— casas de madeiras ( )
— casas de tijolos ( )
14
— 0 ente superior em quem acreditavam os indígenas do Brasil era:
- Jaci ( )
- Mboi-Tatá ( )
- Rudá ( )
- Tupã ( )
— Guaraci ( ■ )
15
16
17
— No Paraná os indígenas deixaram:
— o uso do café
( )
— o uso do açúcar ( )
— a lenda de lemanjá ( )
— o uso do mate ( )
— a lenda do Pai Zumé ( )
— Os indígenas que habitaram o litoral do Paraná foram, principalmente,
os:
— Caingangue ( )
— Guairense ( )
- Tingui
( )
— Carijó
( )
— A quem se deve o nome de América?
— Vasco da Gama
( )
— João de Solis
( )
— Américo Vespucci ( )
— Cristóvão Colombo ( )
— Pedro Álvares Cabral ( )
97
18
— 0 pau-brasil era apreciado:
— para servir de lenha ( )
— por fornecer tinta corante (
— para construir navios ( )
— pelos seus frutos ( )
19
)
— Quem comandou a primeira expedição colonizadora que veio ao Brasil?
— Duarte Coelho Pereira ( )
— Martim Afonso de Sousa ( )
— Pêro Lopes de Sousa ( )
— Gaspar de Lemos ( )
— Cristóvão Jaques ( )
20
— As capitanias que prosperaram foram as de:
— São Vicente
(
- Ilhéus
(
— Sant’Ana
(
— Pernambuco (
— Espirito Santo (
)
)
)
)
)
SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS
■ Sugerimos aos Senhores Professôres, além da bibliografia necessária de
História do Brasil e de História da América, a seguinte bibliografia espe
cializada de História do Paraná, utilizada na elaboração âêste livro:
Abreu, Capistrano — Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil.
Affonso da Costa, Mário J. — Paraná.
Azevedo Macedo, Francisco de — A Conquista Pacífica de Guarapuava.
Azevedo Marques — Dicionário Histórico de São Paulo.
Bandeira, Euclides — Respingos Históricos.
Barros, Homero Batista de — Grafia Científica de "Curitiba”.
Borman, J. B. — Dias Fratricidas.
Carneiro, David — Casos e Coisas da História Nacional.
Carneiro, David — A Revolução Federalista e o Paraná.
Carneiro, David — O Cerco da Lapa e seus Heróis.
Carneiro, David — Os Fuzilamentos de 1894 no Paraná.
Carneiro, David — O Paraná na Guerra do Paraguai.
Carneiro, David — Duas Histórias em Três Vidas.
Carneiro, David — O Incidente Cormorant.
98
Carneiro, David — O Paraná na História Militar do Brasil.
Correia, Leôncio — A Verdade Histórica Sôbre o 15 de Novembro.
Correia, Leôncio — O Barão do Cêrro Azul.
Costa, Dídio, — Tricentenário de Paranaguá.
Costa, Lisímaco da — Vultos Paranaenses.
Dourado, Ângelo — Voluntários do Martírio.
Duelcy, Américo Oswaldo — Vinte Dias de Glória.
Ferreira, João Cândido — Gomes Carneiro e o Cêrco da Lapa.
Figueira, Alberico — A Propaganda Abolicionista em Paranaguá.
Figueiredo, Lima — Oeste Paranaense.
Leão, Ermelino de — Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná.
Leão, Ermelino de — Pinhais.
Leão, Ermelino de — Paraná e Santa Catarina.
Leão, Ermelino de — A Ouvidoria de Paranaguá.
Leão, Ermelino de, e Moreira Garcez, João — Paraná e São Paulo-Limites.
Leão, Ermelino de — A História Política do Paraná.
Leite, Aureliano — A História de São Paulo.
Marcondes, Moysés — Documentos Para a História do Paraná.
Martins Franco, Arthur — Diogo Pinto e a Conquista de Guarapuava.
Martins, Romário — História do Paraná — l.a Edição.
Martins, Romário — História do Paraná — 2.a Edição.
Martins, Romário — Terra e Gente do Paraná.
Martin, Romário — Paiquerê.
Martins, Romário — Alguns Mapas do Século 17 a 19.
Martins, Romário — Curitiba de Outrora e de Hoje
Martins, Romário — História da Fundação de Paranaguá.
Martins, Romário — História da Fundação de Curitiba.'
Martins, Romário — Curitiba.
Martins, Romário — O Livro do Mate.
Martins, Romário — Guairacá.
Martins, Romário — Argumentos e Subsídios Sôbre a Questão de Li
mites Inter-estaduais.
Martins, Romário — O Litígio e o Acórdão.
Martins, Romário — Litígio Territorial.
Martins, Romário — Limites Inter-estaduais.
Martins, Romário — Livro das Árvores do Paraná.
Munhoz, Alcides — Observações Gerais Sôbre o Estado do Paraná.
Munhoz da Rocha Neto, Bento — A Significação do Paraná.
Nascimento, Domingos — Pela Fronteira.
Nascimento Júnior, V. — O Combate do Cormorant.
Negrão, Francisco — Memória Histórica Paranaense.
99
Negrão, Francisco — Genealogia Paranaense.
Negrão, Francisco — Efemérides Paranaenses.
Novaes, Pedro — A Fundação de Paranaguá.
Paraná, Sebastião — Efemérides da Revolução de 1930 no Estado do
Paraná.
Paraná, Sebastião — Galeria Paranaense.
Paraná, Sebastião — O Brasil e o Paraná.
Pilotto, Valfrido — Paranistas.
Pilotto, Valfrido — Construamos com a Verdade a História do Paraná.
Pilotto, Valfrido — Assis Cintra e a Tragédia do km 65.
Plaisant, Alcebíades — Cenário Paranaense.
Ribeiro Branco, Eurico — História de Guarapuava.
Rocha Pombo, J. — História do Paraná.
Saint-Hilaire — Viagem no Interior do Brasil, em 1820.
Taunay, Affonso E. — História das Bandeiras Paulistas.
Van Erven, Herbert M. — Datas do Paraná.
Viana, Oliveira — Populações Meridionais do Brasil.
Vieira dos Santos — Memória Histórica de Paranaguá.
Washington Luiz — A Capitania de São Paulo.
Em especial:
Pinheiro Machado, Brasil — Sinopse da História Regional do Paraná.
JORNAIS:
“O 19 de Dezembro” — Coleção.
"A República” — Coleção.
ANAIS:
l.° Congresso da Revolução de 1894.
Congresso Legislativo do Paraná.
BOLETINS:
Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.
Arquivo Municipal de Curitiba.
Instituto do Mate do Estado do Paraná.
Boletim Geográfico.
REVISTAS:
Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá.
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
100
Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.
Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
Arquivo Municipal de São Paulo.
Círculo de Estudos Bandeirantes.
Ilustração Paranaense.
Academia Paranaense de Letras.
Club Curitibano.
RELATÓRIOS:
Presidentes da Província do Paraná.
Presidentes e Governadores do Estado do Paraná.
SÉRIE
"VIAGEM ATRAVÉS DO BRASIL'
Autêntico desfile das .grandezas de nossa terra através
de seus costumes, encantos naturais, formação histó
rica, acidentes geográficos característicos, etc.
Volumes caprichosamente ilustrados, constituindo a
coleção um precioso documentário.
Leia a série completa na seguinte ordem:
Vol.
1 — AMAZONAS E, PARA.
Vol.
2 — MARANHÃO, PIAUÍ, CEARÁ, RIO GRAN
DE DO NORTE, PARAÍBA, PERNAMBUCO,
ALAGOAS E SERGIPE.
Vol.
3 — BAHIA, ESPÍRITO SANTO E RIO DE JA
NEIRO.
Vol.
4 — MINAS GERAIS.
Vol.
5 — RIO GRANDE DO SUL.
Vol.
6 — SANTA CATARINA.
Vol.
7 — PARANÁ.
Vol.
8 — DISTRITO FEDERAL.
Vol.
9 — SÃO PAULO.
Vol. 10 — GOIÁS E MATO GROSSO.
-t
Parte de Pequena História do Paraná - Cecília Maria Westphalen
Not viewed
