Museu Campos Gerais
Em setembro de 2025, o Museu Campos Gerais, vinculado à Universidade Estadual de Ponta Grossa, completa 75 anos de atuação. Localizado no centro histórico de Ponta Grossa, ocupa duas sedes: o antigo Fórum da Comarca de Ponta Grossa, onde funcionam a administração, a Reserva Técnica Tridimensional e as exposições; e a unidade Banestado, que abriga acervos documentais e museológicos, o Laboratório Multiusuário de Humanidades Digitais e Inovação (LAMUHDI) e o Programa de Pós-Graduação em História da UEPG.
Sua missão é preservar, interpretar e ativar memórias sociais, políticas, culturais e ambientais dos Campos Gerais por meio da articulação entre pesquisa, ensino e extensão. Desenvolve projetos em história oral, história pública, museologia social e humanidades digitais, voltados à produção de narrativas compartilhadas e à apropriação crítica do patrimônio. Abriga exposições de longa duração e temporárias, promove oficinas educativas e intergeracionais, atua com diferentes comunidades e participa de redes de museus e instituições culturais do Paraná e do Brasil.
A origem do Museu está ligada ao Centro Cultural Euclides da Cunha, entidade criada por intelectuais ponta-grossenses na década de 1940 para promover debates sobre cultura e identidade regional. Em 1948, formaram-se ali as primeiras coleções, compostas por materiais de arqueologia e história natural, obtidos em diálogo com outras instituições culturais brasileiras. Desde então, o MCG manteve seu compromisso com o conhecimento histórico e a mediação cultural, consolidando-se como instituição universitária que acompanha as transformações da cidade, da Universidade e da própria concepção de museu.
Hoje, o Museu Campos Gerais é mais que um espaço de guarda ou exibição. Atua como laboratório, acolhendo estágios, oficinas de catalogação, digitalização e curadoria experimental. É também um espaço de escuta, por meio de entrevistas de história oral, rodas de memória e atenção a demandas comunitárias. Funciona como sala de aula expandida, integrando exposições e ações educativas às atividades de ensino formal e projetos de extensão universitária. Ao conectar história e experiências vividas, amplia sua presenção social junto a públicos diversos.
A reinauguração da sede histórica, ocorrida em 2024, marca uma nova etapa. O restauro do antigo Fórum foi viabilizado com recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justição (FNDD-MJ) e seguiu critérios técnicos rigorosos de preservação e modernização. O prédio, agora acessível, climatizado e tecnicamente equipado, passou a abrigar exposições, ações formativas e práticas museológicas comprometidas com a inserção social e a preservação do patrimônio.
O museu tem voltado suas ações para questões atuais, sem desvalorizar a importância de seus acervos históricos, considerando os usos públicos da memória e os conflitos simbólicos em torno da história regional. Seus acervos documentais, fotográficos, orais e museológicos são mobilizados a partir de perguntas feitas no presente: quem lembra, quem pode narrar, o que deve ser preservado e por quê. Nesse percurso, o Museu Campos Gerais se consolida como espaço de escuta pública e coautoria, integrando ensino, pesquisa e extensão com responsabilidade social e sensibilidade histórica.
No coração do Centro Histórico de Ponta Grossa, em uma área marcada pela circulação urbana, vida social, práticas culturais e memória institucional, o Museu Campos Gerais reafirma sua vocação. É um Museu em movimento, comprometido com a formação cidadã, a justiça histórica e o futuro das memórias socioculturais.

